sábado, 6 de julho de 2013

I Ciclo de Vivências na Aldeia Tremembé de Telhas



No âmbito das atividades do projeto “Artesanato, Cozinha Comunitária e Organização das Mulheres como perspectivas para o Etnodesenvolvimento da comunidade Tremembé do Córrego das Telhas, Acaraú/CE”, o Conselho dos Índios Tremembé do Córrego das Telhas e seus parceiros promovem, entre os dias 18 e 21/07/2013, o I Ciclo de Vivências da Aldeia Tremembé de Telhas.
Para além das atividades relacionadas ao projeto, ampliamos a programação com oficinas ecológicas e rodas de conversa e debates no intuito de possibilitar vivências e trocas de experiências no que se referem aos saberes, histórias e memórias dos Tremembé, como também promover o diálogo intercultural entre indígenas, pesquisadores e participantes do evento.

O Encontro das Mulheres Tremembé de Acaraú e o Seminário sobre Inclusão Produtiva consistem em espaços de discussão e troca de experiências no que tange aos avanços conquistados e os desafios que se avistam ao maior protagonismo social, político e econômico das mulheres indígenas Tremembé e abordará as experiências com os projetos da Carteira Indígena e do PAA, como também discutirá temas como a ampliação dos espaços de participação política e a inserção produtiva das mulheres indígenas.
As Oficinas Ecológicas (abertas a participantes não-indígenas) surgiram como demandas das mulheres e como desdobramento do curso de artesanato ministrado pelo SEBRAE recentemente, na qual as mulheres deliberaram pela recuperação de uma antiga casa, que está sendo reformada em forma de mutirão pela própria comunidade e que dará lugar a Tapera do Artesanato. Nesse contexto, as oficinas visam promover uma experiência prática fundindo os conhecimentos tradicionais no uso da argila para construções e acabamento de paredes, na produção de tintas naturais e grafismo indígena com a utilização de técnicas permaculturais, aproveitando os materiais existentes no local.
A Roda de Conversa será um momento de discussões e debates sobre a conjuntura indígena e indigenista atual levando em consideração as manifestações que ocorrem no país e as perspectivas dos Tremembé sobre os rumos da política indigenista oficial. As rodas de conversa contarão com a participação da comunidade local, das lideranças indígenas, participantes das oficinas, técnicos e pesquisadores.

A programação noturna se encerra com grandes rodas de Torém, brincadeira dos índios e elemento marcante da cultura Tremembé.

PROGRAMAÇÃO

Quinta-feira – 18/07/2013

16:00h: Acolhida dos participantes

18:00h: Jantar

19:00h: I Seminário sobre Inclusão Produtiva de Mulheres Indígenas
Palestrantes: lideranças femininas das aldeias Telhas e Queimadas


Sexta-feira – 19/07/2013

07:00h: Café da manhã

08:00h: Oficina de reboco e acabamento
Facilitador: Felipe Lima

12:00h: Almoço

14:00h: Oficina de reboco e acabamento (parte 2)

18:00h: Seminário das Mulheres Tremembé
Palestrante: Ceiça Pitaguary (DMI/APOINME), Lucilene Martins (Presidente CONDISI)

21:00h: Roda de Torém


Sábado – 20/07/2013

07:00h: Café da manhã

08:00h: Oficina de Pintura Mural e Grafismo Indígena
Facilitador: Clóvis André

12:00h: Almoço

14:00h: Oficina de Pintura Mural e Grafismo Indígena (parte 2)

18:00h: Jantar

19:30h: Roda de Conversa: Cenário indígena e indigenista atual na ótica dos Tremembé
Convidados: Cacique João Venâncio, Pajé Luís Caboclo e lideranças Tremembé das comunidades São José, Capim Açu, Cajazeiras e Queimadas.

21:00h: Roda de Torém


Domingo – 21/07/2013

07:00h: Café da manhã

08:00h: Encerramento da oficina e encaminhamentos finais

12:00h: Almoço e partida



ATENÇÃO: Por questões operacionais, as vagas são limitadas! Garanta logo sua inscrição. 
Mais informações entre em contato conosco.

Informações e inscrições:
tiago.permaculturace@gmail.com  (88) 9988-2428 / 9214-6232


ronaldosl.sobral@gmail.com  (88) 8885-1753 / (84) 9960-4188

Realização: Conselho dos Índios Tremembé do Córrego das Telhas – CITCT e Instituto NEMA
Apoiadores: e parceiros: CIT.Queimadas, Carteira Indígena/MMA, GATI, FUNAI (CTL Itarema), APOINME, SEBRAE

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Carteira Indígena: índios Tremembé de Telhas participam de capacitação em artesanato


Dando continuidade às metas do projeto da Carteira Indígena, mulheres, homens e jovens de Telhas participaram de mais uma oficina de capacitação e qualificação em artesanato com foco na palha de tucum e na confecção de biojóias. O curso foi realizado pelo SEBRAE, através de uma parceria firmada entre a comunidade e a instituição, mediada pelo consultor que acompanha o projeto, Tiago Silva.
A iniciativa do curso surgiu a partir do conhecimento de que várias pessoas da comunidade já produziam artesanato com palha de tucum. No entanto, até então não havia incentivo à comercialização do artesanato, feito apenas para uso dos próprios indígenas. Na fase de elaboração do projeto, as mulheres (foco do projeto) solicitaram que fosse realizado um curso de aperfeiçoamento em artesanato indígena, com ênfase no linho do tucum e na utilização de sementes nativas na confecção de biojóias (cordões, pulseiras, brincos, prendedores, etc.). O foco no tucum e na biojóia visa justamente trabalhar com o que a comunidade indígena já dispõe no local.

Mulheres confeccionando jóias
Jovens e adultos participando do curso
Retirando o linho do tucum
Com o projeto aprovado, o técnico Tiago Silva mediou a parceria do SEBRAE, com consultores qualificados, e o Conselho Indígena. Nesta parceria, a comunidade de Telhas entrou com uma parte dos custos (com os recursos do projeto da CI.) e o SEBRAE com a outra. 
A carga horária do curso totaliza 90 h/a e foi dividida em dois módulos: qualificação do artesanato e gestão e empreendedorismo. Os cursos foram ministrados pelos consultores do SEBRAE entre os dias 20 a 24 de maio (módulo 1) e de 17 a 21 de junho (módulo 2).

Epitácio ministrando o curso
Consultora confeccionando cordões com o linho
Os objetivos do curso são o aperfeiçoamento de técnicas de produção artesanal (desde o tratamento da matéria-prima até a utilização de ferramentas) com foco no acabamento dos produtos para agregação de valor e a inserção dos produtos e artesãos indígenas em feiras e circuitos de comercialização monitorados pelo SEBRAE em todo o estado do Ceará.
Um fato muito importante, e positivo, foi a participação diversificada no curso, que contou com adolescentes, mulheres e homens adultos. Após o curso, todos os participantes ficaram bastante estimulados. Como desdobramento, estão reformando uma casa na comunidade que servirá como local de produção coletiva do artesanato.
Além do curso, o projeto da Carteira Indígena contemplou a compra de vários equipamentos, desde insumos, cadeiras até ferramentas para estimular os Tremembé de Telhas a confeccionar os artesanatos.
Ao final do curso, os indígenas participantes receberam os certificados. Em breve, postaremos aqui no blog um portfólio com as peças confeccionadas durante o curso.
Veja mais fotos:

Trabalhando as peças que serão utilizadas na confecção de biojóias
Técnica dos Tremembé para retirar o linho do tucum
Tecendo as peças com linho

Todos atentos ás explicações e colocando em prática
Algumas peças produzidas durante o curso

Os participantes com os seus certificados
Participantes e consultores do SEBRAE

Obs: todas as imagens publicadas neste post foram registradas pelos consultores do SEBRAE que ministraram o curso.
Texto: Ronaldo Santiago

terça-feira, 18 de junho de 2013

Prêmio Cultura Indígena para os Tremembé de Acaraú


Parabéns às comunidades indígenas do Ceará!

No Ceará foram habilitados 6 projetos para o Prêmio Culturas Indígenas 4ª Edição Raoni Metuktire, sendo 02 no valor de R$ 20 mil e 04 no valor de até R$ 15 mil. No intuito incentivar o maior número de contemplações em todo o território nacional, foi informado que no Ceará serão premiadas somente 3 propostas. De forma que seja 01 projeto no valor de até R$ 20 mil e 02 propostas de até R$ 15 mil.


Enviamos 02 propostas para concorrer, tanto para a comunidade de Queimadas "Tradição e Memória dos Índios Tremembé de Queimadas", quanto para a aldeia de Telhas "Sabores e Saberes dos Índios Tremembé". No entanto somente um uma foi contemplada. Isso nos deixa feliz e um pouco triste ao mesmo tempo, pois nosso desejo é de que tivessem sido contempladas as duas comunidades. Mas sabemos que nem sempre iremos conseguir.

Esse resultado é fruto de uma oficina sobre Elaboração de Projetos para Indígenas com as lideranças das duas aldeias. Essa oficina fez parte de uma atividade do Projeto da Carteira Indígena, que foi aprovado no ano de 2010, também para as duas comunidades. Para a realização da oficina, aproveitamos que havia um edital aberto do Prêmio Cultura Indígena e focamos a oficina para a elaboração do projeto no valor de R$ 15 mil, assimilando assim a teoria à prática. Na oficina reunimos os mais velhos, as lideranças espirituais, do Rezo, puxadores de Torém, associação e professores para traçarmos o que a comunidade desejava ter como prioridade a ser trabalhado.

Em Queimadas será trabalhada a documentação e memória das práticas agrícolas de cunho agroecológico, os processos de cura através do uso de plantas medicinais e das manifestações religiosas esprituais, o Torém e o Rezo. Abaixo segue a lista dos projetos aprovados.

Para maiores informações clique aqui.


Agradecimentos:

  • Luiz Gustavo - Analista Ambiental - Carteira Indígena Secretaria de Extrativismo e Desenvolvimento Rural Sustentável - SEDR/MMA
  • Ceyça Pitaguary
  • Fernanda Sindlinger - Responsável pelas organização das oficinas do Prêmio Cultura Indígena
  • Everthon Damaceno 

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Eleição do Conselho Indígena Tremembé de Telhas


Na foto de 2010, Isabel, Rosa e Rocilda, respectivamente.

O Conselho Indígena Tremembé do Córrego das Telhas também elegeu, no último mês de maio, os novos representantes da Coordenação Geral e do Conselho Fiscal para um mandato de dois anos (2013 - 2015).
A novidade é que a atual gestão é formada apenas por mulheres que superaram o medo e aceitaram os desafios que envolvem a representação política da comunidade. A nova coordenação tem como principais metas:
- A continuidade da gestão do projeto da Carteira Indígena;
- Fortalecimento do CIT;
- A organização financeira do Conselho e a adesão de novos associados;
- Discutir com FUNAI a FUNASA a atualização dos cadastros das duas instituições e a conseqüente inclusão de novas famílias.
Segue abaixo a composição da nova gestão do Conselho:

COORDENAÇÃO GERAL

Coordenadora Geral: Isabel Elizete do Nascimento Sousa
Vice-coordenadora Geral: Maria Rocilda do nascimento
1ª Secretária: Raimunda Rosiane do Nascimento Costa
2ª Secretária: Raimunda Jaíza do Nascimento Sousa
1ª Tesoureira: Maria Rosimeire do Nascimento
2ª Tesoureira: Francisca Deigiane do Nascimento

CONSELHO FISCAL

Presidente: Maria de Lourdes Ferreira Nascimento
Membro efetivo: Rosa Helena do Nacimento
Membro efetivo: Rosa Helena do Nascimento
Membro Suplente: Maria Elisbete do Nascimento
Membro Suplente: Maria Cirlene do Nasimento Matias
Membro Suplente: Maria Irene Nascimento.

domingo, 26 de maio de 2013

A festa da demarcação: índios Tremembé comemoram portaria declaratória da TI Tremembé de Queimadas


Foi uma festa linda, alegre, bonita mesmo. Os Tremembé estavam em festa no último sábado (25/05), por ter dado mais um passo rumo á conquista definitiva da TI. Tremembé de Queimadas. Festejaram a Portaria nº 1.702 de 19 de abril de 2013, que declara de posse legítima a terra dos Tremembé de Queimadas.
As lideranças locais passaram a semana se preparando, arrecadando contribuições das famílias para comprar os alimentos que seriam oferecidos durante a festa. Um grupo de mulheres ficou na cozinha preparando a comida, outro grupo de homens foram para o mato em busca de madeira e palha para levantar uma palhoça na área central da aldeia para recepcionar a todos e dançar torém, reizo e forró.
Adultos e crianças fazendo os últimos ajustes na palhoça redonda
Mulheres preparando a comida ao longo do dia

No início da noite, um ônibus vindo de Almofala trazia o cacique João Venancio, o Pajé Luis Caboclo e outros da região da praia, além de um grupo de estudantes e professores universitários que visitavam Almofala nesse dia.
Enquanto a cerimônia não começava, um pequeno vídeo, produzido por um professor indígena, projeta num telão o depoimento de Dona Rita Sabina e Manoel Félix, dois idosos das Queimadas, contando um pouco da história do local, da lagoa do Amargoso, encantada pelo pajé João Cosmo com “sete encantos”, onde Rita, quando crianca, por pouco não foi apanhada pelo encantados.

João Félix (esq.) e Manoel Félix assistindo o vídeo
Eu e Dona Rita Sabina
Por volta das 19 horas, uma grande quantidade de pessoas de aglomeravam no pátio central. Outro ônibus trouxe gente das Telhas, aldeia vizinha, e de muitos parentes dos anfitriões. Um grupo menor da aldeia São José (Córrego João Pereira), também compareceu para prestigiar os “parentes”.
A festa começou com a apresentação do torém infantil dos alunos da escola. Logo após, lideranças de Queimadas tiveram a oportunidade de falar sobre “a luta” e as conquistas da aldeia. 

Torém das crianças
O Cacique João Venâncio saudou os presentes, disse de sua alegria de estar alí, alertou a comunidade que também era momento de pedir aos encantados para ajudar nesta próxima etapa do processo de demarcação. Fez um apelo para a unidade do grupo e para que se evitassem disputas pelo poder. Finalizou sua fala colocando-se à disposição dos Tremembé das Queimadas quando precisassem.
Luis Caboclo também saudou os donos da festa, parabenizando-os pela conquista parcial. Além disso, elogiou os Tremembé de Queimadas pela organização comunitária e pelas mudanças ocorridas nos últimos anos.

Cacique João Venâncio 
Pajé Luis Caboclo
Florêncio Sales (Missão Tremembé)
Depois das lideranças indígenas, parceiros dos Tremembé de Queimadas também manifestaram alegria e satisfação pelo momento vivido pelos indígenas, reiterando o apoio à comunidade. Estavam presentes representantes da Secretária de Assistência Social de Acaraú, o vereador e presidente da Câmara, Nacelio Cruz, o coordenador da CTL de Itarema, Antonio Neto, Florêncio Sales, da Missão Tremembé, Ronaldo Santiago e Tiago Silva, técnicos que acompanham os Tremembé de Acaraú desde 2009.

Sra. Malú (à direita), da Secretaria de Ação Social/Acaraú
Antonio Neto (FUNAI - CTL Itarema)
Vereador Nacélio Cruz (Presidente da Câmara dos Vereadores de Acaraú)
Tiago e um grupo de estudantes e professores da UNIFOR que foram conhecer os Tremembé de Queimadas

Após os depoimentos, João Félix, Manoel Félix e Julio Custoso, fizeram uma apresentação de sapateado, improvisando algumas parte do “reizo”.


Improviso dos velhos: versos e sapateados do reizo

Mas o ponto alto da noite ficou por conta da apresentação do torém, que reuniu os Tremembé de várias aldeias, comandados por João Venancio e Luis Caboclo. Uma grande roda foi formada e envolvia crianças, jovens, idosos e alguns visitantes. Certamente, uma das festas mais bonitas realizadas nos últimos anos em TI Queimadas. Veja nas fotos abaixo.


Indígenas e parceiros prestigiando a festa


Pajé Marluce
Navura

Luis e João conduzindo o torém

Marcondes Marciano e Paulo Nascimento (Queimadas)

Fransquin e Júlio, filho e irmão do saudoso pajé Zé Tonheza
Dona Sebastiana e Lúcia (atrás)


Texto:  Ronaldo Santiago    Fotos:  Ronaldo Santiago 
Tiago Silva Bezerra

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Eleição do Conselho Indígena de Queimadas


No último dia 16, a comunidade Tremembé de Queimadas reuniu-se em assembleia geral para eleger a nova diretoria do Conselho Indígena. A nova gestão ficará no comando da instituição até 2015. A composição da diretoria e conselho fiscal ficou a seguinte:

Coordenadora Geral: Elaine Cristina do Nascimento Marciano
Vice-Coordenador Geral: Francisco Evaldo do Nascimento
1ª Secretária: Ana Paula do Nascimento
2ª Secretária: Deliane do Nascimento
1º Tesoureiro: Francisco Cleiciano do Nascimento
2º Tesoureiro: José Marino do Nascimento

Conselho Fiscal:
- Maria Mirtilene dos Santos
- Maria Marluce dos Santos
- Maria Edmirtes dos Santos
- José Maria Secundes
- Maria Socorro do Nascimento
- Marcondes José Marciano

Parte do grupo que compõe a diretoria e conselho fiscal

Durante a reunião foram entregues os certificados dos indígenas que fizeram os cursos de Olericultura Orgânica, Avicultura Básica e Produção Artesanal de Produtos Derivados de Frutas. Os cursos foram realizados pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – SENAR, nas comunidades de Telhas e Queimadas, ao longo do ano de 2010. Demorou um pouco mas saíram os certificados!

Indígenas com os certificados

domingo, 28 de abril de 2013

O Povo: Processo de demarcação de terra no Ceará avança

Ritual resgata tradição indígena tremembé no Ceará. "A cada regularização, comprovamos nossa cultura, nossa história, nossa luta", diz Dourado Tapeba. FOTO: Francisco Fontenele

Terra Indígena Tremembé de Queimadas, em Acaraú, avança na demarcação de sua área com publicação da portaria. Processo segue com demarcação administrativa e homologação presidencial.


O processo de demarcação da Terra Indígena Tremembé de Queimadas, em Acaraú, avançou mais uma etapa com a publicação no Diário Oficial da União da portaria declaratória de posse permanente da área de 767 hectares ao povo Tremembé, na última segunda-feira, 22.


Além da Terra Indígena Tremembé de Queimadas, as terras Guanabara, do povo Kokama, em Benjamin Constant (AM) e Cué Cué/Marabitanas, dos povos Baré, Warekena, Baniwa, Desano, Tukano, Kiripako, Tariana, Pira-Tapuya e Tuyuka, em São Gabriel da Cachoeira (AM) também foram declaradas com a assinatura do ministro da Justiça.


A partir da portaria nº 1.702, datada de 19 de abril deste ano, a Fundação Nacional do Índio (Funai) deve promover a demarcação administrativa da Terra Indígena. Após a demarcação, o processo passa por homologação da Presidenta da República.


Ricardo Weibe Nascimento Costa, coordenador da Regional Nordeste II da Funai, explicou que a terra já havia sido identificada e delimitada e, agora, os limites geográficos são indicados e oficializados. Segundo ele, a partir desse ponto, a Funai realizará a demarcação física, afixando placas nos limites de identificação. Weibe indica que será realizada articulação com a Funai em Brasília para a descentralização de recursos e o andamento desta etapa, ainda sem prazos definidos.


Também é necessária a realização de ação de extrusão, segundo Weibe, em que todos os ocupantes não índios identificados anteriormente pela Funai possam ser retirados e reassentados em outras áreas. A última etapa é o registro da terra indígena como patrimônio da União. A comunidade de Queimadas, no caso, fica com o uso exclusivo da área.


À espera

No Ceará, somente uma terra indígena possui a demarcação finalizada, a Tremembé do Córrego João Pereira, área vizinha a de Queimadas, lembrou Weibe, da Funai. Para Dourado Tapeba, coordenador executivo da Articulação dos Povos Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo (Apoinme), cada demarcação e regularização de terra indígena é uma vitória para o Ceará, o Nordeste e o Brasil.


Ele explica que, no caso de Tremembé de Queimadas, não haverá retrocesso no processo, pois houve diálogo decisivo com o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), antes empecilho para a demarcação. O longo conflito com o Dnocs ocorreu pelo uso de uma área da terra indígena para a construção do Perímetro Irrigado do Baixo Acaraú, caso iniciado ainda na década de 80.


Ele ressalta que a maior parte dos processos demarcatórios estão na esfera judicial, com empresas e grupos querendo provar que não existe índio e, consequentemente, terra indígena no Estado. “A cada regularização, comprovamos nossa cultura, nossa história, nossa luta”, enalteceu Dourado Tapeba.



Como


ENTENDA A NOTÍCIA


O processo de demarcação da terra indígena Tremembé de Queimadas continuará com procedimento da Funai para a sinalização com placas e marcos dos limites da área, assim como diálogo com possíveis ocupantes não índios.



Passo a passo do processo de demarcação de terras indígenas


A demarcação será fundamentada em estudo antropológico de identificação.
Estudos complementares de natureza etno-histórica, sociológica, jurídica, cartográfica, ambiental e levantamento fundiário necessários à delimitação serão realizados por grupo técnico especializado, indicado por órgão federal de assistência ao índio.


Após a conclusão dos trabalhos de identificação e delimitação, o grupo técnico apresentará relatório ao órgão federal de assistência ao índio, caracterizando a terra indígena em processo de demarcação. Com a aprovação do relatório, ele deverá ser publicado, em quinze dias, nos Diários Oficiais da União e do Estado.


Até 90 dias após esta publicação, estados, municípios e demais interessados poderão se manifestar com pedidos de indenização ou demonstrar equívocos no relatório, munidos de toda a documentação necessária.


O órgão federal deverá encaminhar o processo ao ministro de Estado da Justiça com pareceres relativos às razões e provas apresentadas.


Após o recebimento, o ministro poderá decidir pela declaração dos limites da terra indígena e determinar a demarcação; prescrição de diligências que julgue necessárias, que deverão ser cumpridas em 90 dias ou pela desaprovação da identificação, fundamentando sua decisão.


Caso seja verificada a presença de ocupantes não índios na área demarcada, o órgão responsável realizará o reassentamento, de acordo com a legislação.


A demarcação deve ser homologada mediante decreto. Após homologação, o órgão federal de assistência ao índio realizará o registro em cartório imobiliário da comarca correspondente. O Decreto indica que o grupo indígena envolvido deverá participar do procedimento em todas as suas fases.

OBS: de acordo com o Decreto nº 1.775, de 1996.

Fonte: Jornal O Povo 28/04/2013.