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domingo, 29 de novembro de 2015

"Caju e Cultura": primeiras ações do projeto

Logomarca do projeto

As atividades desenvolvidas referentes à primeira etapa do projeto "Caju e Cultura Tremembé: beneficiamento e valorização das tradições" foram executadas entre os meses de setembro e novembro e se concentraram basicamente na dimensão mais estrutural do projeto, neste caso, na ampliação da unidade de beneficiamento do caju.
Em paralelo à construção, vem sendo realizado o trabalho de acompanhamento técnico pela equipe da Ethnos, juntamente com a coordenação do CITCT no sentido de acompanhar in loco as etapas que envolvem a construção do empreendimento. Nos primeiros meses a equipe técnica esteve quase semanalmente na aldeia indígena acompanhando o andamento da obra.

Início da construção (set/2015)

Paredes levantadas (set/2015)
Foto: Ronaldo Santiago

Prédio construído (out/2015)
Foto: Ronaldo Santiago

Prédio construído, ao lado, a cozinha comunitária já existente (nov/2015)
Foto: Ronaldo Santiago

Construção concluída (nov/2015)
Foto: Ronaldo Santiago

Construção concluída (nov/2015)
Foto: Ronaldo Santiago

Ademais, o trabalho de mobilização social neste momento inicial se voltou para as mulheres, que consideramos o "coração" deste projeto. Neste sentido, foram realizados alguns encontros, de caráter mais informal, com as mulheres que atualmente estão trabalhando na cozinha comunitária, produzindo bolos e tapiocas para o PAA do município de Acaraú. Atualmente, o grupo produtivo conta com 14 mulheres.
A experiência atual com o PNAE e PAA tem sido utilizada como um condutor para as ações subsequentes do projeto, sobretudo, no que se refere à formação das mulheres na gestão do empreendimento comunitário. Neste aspecto, os acertos, mas sobretudo as falhas, estão sendo observadas de modo que as atividades do "projeto Caju e Cultura" contribuam para o aperfeiçoamento dos processos organizacionais, produtivos e de gestão financeira.

Reunião com as mulheres ao lado da cozinha comunitária
Foto: Thiago Oliveira

Momento de escuta das mulheres
Foto: Thiago Oliveira

Outra ação realizada pelo grupo de mulheres participantes do projeto foi a produção, em caráter experimental, da cajuína artesanal, mesmo sem a chegada dos novos equipamentos (que só virão quando a unidade for construída).
Essa produção inicial não teve um mercado definido e, mais do que sua dimensão econômica, teve o objetivo de trabalhar a tecnologia da cajuína sem a utilização de produtos sintéticos (cola) na fabricação.
Não obstante, a divulgação de uma cajuína 100% natural, mesmo num círculo relativamente restrito nas redes sociais, despertou a curiosidade e o interesse de diversas pessoas em vários municípios, se vislumbrando num futuro próximo a abertura de novos mercados.
A produção desse lote experimental de cajuína artesanal possibilitou o fortalecimento e a revalorização de uma tradição cultural dos Tremembé de Telhas que estava em franco esquecimento. Este é, certamente, um dos valores estratégicos que o Projeto "Caju e Cultura Tremembé" pretende desenvolver ao longo de sua execução.
Nos próximos meses serão realizadas tanto a compra dos equipamentos quanto a realização de alguns cursos previstos no projeto.

A Ethnos Socioambiental, além de parceira do CITCT, tem prestado assessoria técnica na gestão do projeto e nos processos de formação de pessoal.
Em breve o projeto "Caju e Cultura Tremembé" terá um site próprio, onde serão publicadas as atividades realizadas.

Mulheres preparando o caju para ser prensado
Foto: Ronaldo Santiago

Fazendo a filtragem do suco, que após ser envasado vai para o fogo
Foto: Ronaldo Santiago

Derivados do caju produzidos pelas mulheres tremembé: mocororó (dir.), cajuína e mel de caju
Foto: Ronaldo Santiago

Equipe do projeto:
Ronaldo Santiago - Antropólogo/Coordenador do Projeto - (Ethnos Socioambiental)
Tiago Silva Bezerra - Pedagogo, Zootecnista / Assessor Técnico - (Ethnos Socioambiental)
José Rogério de Sousa - Liderança indígena - (Coordenador Geral do CITCT)

Colaborador@s:
Rosiane Nascimento - Juventude Tremembé de Telhas
Brena Nicoly Nascimento - Juventude Tremembé de Telhas
Thiago Oliveira - Ethnos Socioambiental
Fernanda Lopes - Juventude Tremembé de Telhas


APOIADORES:



PARCEIROS:


domingo, 12 de julho de 2015

Oficina de capacitação e implementação do PPP-ECOS Cerrado e Caatinga


Entre os dias 08 e 10 de julho ocorreu em Brasília a oficina de capacitação e implementação dos projetos selecionados no 22º edital do PPP-ECOS, promovido pelo ISPN. Durante os três dias, indígenas, quilombolas, geraizeiros, quebradeiras de coco e camponeses trocaram experiências e foram capacitados para a execução dos projetos aprovados por suas respectivas associações. Dentre as atividades propostas pela equipe de assessores do ISPN estavam as palestras sobre boas práticas na gestão de projetos, de prestação de contas e como proceder na elaboração dos relatórios financeiros e de progresso, itens condicionantes para a liberação dos recursos.
Além disso, um dos momentos mais enriquecedores da oficina foram as apresentações dos painéis elaborados pelas instituições contempladas no PPP-ECOS, onde puderam socializar experiências em produção agroecológica, beneficiamento de frutas e acesso a mercados. Outro ponto a se destacar foram as dificuldades que os pequenos produtores ainda enfrentam na comercialização de seus produtos e quais estratégias estão sendo utilizadas para romper as dificuldades.
O CITCT, que aprovou o projeto "Caju e Cultura Tremembé": beneficiamento e valorização dos saberes tradicionais na aldeia Telhas, esteve representado pela liderança Rosiane Nascimento, do comitê gestor, e pelo coordenador do projeto Ronaldo Santiago.

Apresentando os paineis do CITCT

Sem sombra de dúvidas, o evento proporcionou experiências riquíssimas entre os participantes e trouxe novas esperanças ao perceber que as práticas e os princípios agroecológicos, a responsabilidade ambiental e a valorização dos saberes tradicionais estão  sendo disseminadas país afora.

Apresentação dos paineis


  
Apresentação dos paineis

domingo, 31 de maio de 2015

Conselho de Telhas aprova projeto no 22º Edital PPP-ECOS

Em destaque (amarelo), o projeto do CITCT
 
No último dia 19 de maio, o ISPN divulgou o resultado dos projetos aprovados no 22º Edital do Programa de Pequenos Projetos Ecossociais - PPP-ECOS (imagem acima). Para nossa satisfação o projeto do Conselho dos Índios Tremembé do Córrego das Telhas - CITCT foi aprovado. Como mostramos em postagens anteriores, o projeto foi construído a partir de um processo dialógico e participativo, onde os indígenas apresentaram a demanda de trabalhar com o beneficiamento do pedúnculo do caju. Veja aqui.
Em linhas gerais, o projeto pretende incentivar a produção e comercialização de bebidas, doces e polpas a partir do beneficiamento do pedúnculo do caju, com ênfase para a cajuína, bebida produzida a partir de processo artesanal, segundo conhecimentos tradicionais das mulheres Tremembé.

Apesar do caju ser uma fruta abundante na terra indígena e os Tremembé terem considerável conhecimento na produção de seus derivados, até hoje tem sido subaproveitado porque os Tremembé não possuem meios para beneficiá-lo. Diante desta situação, boa parte do pedúnculo acaba sendo desperdiçado. 
Contribuindo para mudar esse quadro, o projeto visualiza no beneficiamento do caju um grande potencial no que se refere à geração de trabalho e renda, tendo em vista a produção e comercialização de cajuína, sucos, polpas, doces e outros alimentos, tanto para os programas governamentais (PAA e PNAE), contribuindo assim, para autonomia financeira das famílias envolvidas. 
Vale destacar que este projeto pretende realizar uma demanda antiga dos Tremembé, o de beneficiar um produto de grande importância e identificação cultural, tendo em vista a forte presença do caju na alimentação, na economia e na sociabilidade nativa.

Confira a lista completa dos projetos aprovados clicando aqui.
 

terça-feira, 7 de abril de 2015

Comunidades Tremembé da Terra Indígena Córrego João Pereira enviam projetos para o PPP-ECOS

As associações indígenas das comunidades de Telhas e do São José enviaram propostas para o edital do Programa de Pequenos Projetos Ecossociais - PPP-ECOS, executado pelo Instituto Sociedade, População e Natureza - ISPN.
"O PPP-ECOS concede pequenas doações a organizações sem fins lucrativos que tem caráter não governamental e de base comunitária para atividades que aferem benefícios ambientais e que resultem na melhoria da qualidade de vida das comunidades locais por meio do uso sustentável da biodiversidade, agricultura sustentável, manejo da água, recuperação de áreas degradadas, entre outras ações".


Rememorando: a construção dos projetos

As discussões em torno da construção de projetos para o PPP-ECOS se iniciaram em 2013, na chamada anterior, quando realizamos uma primeira oficina participativa de construção de projetos na comunidade de Telhas. Por questões de tempo e prioridade não foi possível enviarmos a proposta naquele ano. Na época, os Tremembé já apontavam suas demandas e quais áreas deveriam ou poderiam ser privilegiadas. Por se tratar uma atividade inserida em um conjunto de ações que vem sendo desenvolvidas desde 2009, as ideias sempre estiveram conectadas com o princípios da sustentabilidade ambiental, da governança e do protagonismo indígena.
Primeira oficina de construção do projeto para o PPP-ECOS (2013)
 
Chuva de ideias para o projeto (2013)

No entanto, desde aquela oportunidade foram construídos espaços de diálogo e discussão de ideias e propostas que culminaram na elaboração dos projetos apresentados pela Associação Indígena Tremembé da Aldeia São José – ASSINTRA, representando a gleba 01 da TI. Córrego João Pereira, e pelo Conselho dos Índios Tremembé do Córrego das Telhas - CITCT, representando a gleba 2. 
É importante destacar que a partir de 2013 passamos a contar com a colaboração da consultora do Projeto GATI Isabel Modercin, responsável pelo acompanhamento das terras indígenas da Área de Referência Nordeste I.

Oficina de agroecologia e gestão ambiental
Em 2014 o Projeto GATI e a FUNAI viabilizaram um curso de agroecologia e gestão ambiental na TI. Córrego João Pereira com carga horária total de 120 horas. O objetivo do curso foi de capacitar indígenas em agroecologia para implementação de projetos de base agroecológica na TI. Córrego João Pereira. Alternando momentos de atividades teóricas e de campo, o curso foi mais uma oportunidade para discussão de propostas que poderiam ser implementadas a partir de futuros projetos.


Os projetos
A partir do lançamento do edital PPP-ECOS, as duas comunidades se reuniram ao longo do último mês de março para as oficinas definitivas para a construção dos projetos enviados ao PPP-ECOS. Como as duas associações indígenas do Córrego João Pereira possuem trajetórias distintas no que se referem às experiências em projetos, como também infraestruturas diferenciadas, o projeto de cada comunidade procurou expressar as prioridades da instituição proponente no contexto atual.
Encontro com a comunidade de Telhas (21/03/2015)
Encontro com a comunidade de São José (27/03/2015)
Presença da consultora do Projeto GATI (ao centro) Isabel Modercin (27/03/2015)

A associação indígena da aldeia São José espera consolidar com este projeto o início de um processo de transição agroecológica no território através da recuperação de áreas degradadas com a implantação de sistemas agroflorestais. A agroecologia tem se apresentado para os Tremembé da comunidade local como uma ferramenta de grande potencial para enfrentar as principais problemáticas vivenciadas atualmente: a degradação dos solos, que ocasiona a diminuição da produtividade agrícola; o assoreamento dos corpos hídricos e a diminuição da biodiversidade da fauna em consequência de que a cobertura vegetal também está cada vez menos densa.
Já o Conselho Indígena de Telhas pretende ampliar uma experiência em curso relacionada à produção de alimentos para atender a demanda dos programas governamentais (PAA e PNAE) e de mercados locais, com o objetivo de viabilizar a comercialização de bebidas, doces e polpas a partir do beneficiamento do caju, com ênfase para a cajuína.
Veja abaixo a equipe técnica que assessorou as duas instituições proponentes e colaborou na elaboração dos projetos:

CITCT (Telhas)
Ronaldo Santiago - Antropólogo
Thiago Oliveira Gomes - Zootecnista e Agroecologista
Isabel Elisete - Coordenadora Geral do CITCT
Rosiane Nascimento - Professora e secretária do CITCT
André Sales Matias - Liderança indígena e Ex-Coordenador do CITCT

ASSINTRA (São José)

Tiago Silva - Zootecnista, Agroecologista e Pedagogo
Isabel Modercin - Antropóloga e Consultora do Projeto GATI (Área de Ref. Nordeste I)
Francisco José Oliveira - Liderança indígena e Ex-Presidente da ASSINTRA
Francisco Rodrigues - Atual presidente da ASSINTRA