terça-feira, 15 de agosto de 2017

O POVO TREMEMBÉ DE QUEIMADAS REPUDIA O MARCO TEMPORAL, QUE TENTA ACABAR COM AS POPULAÇÕES INDÍGENAS.

domingo, 29 de novembro de 2015

"Caju e Cultura": primeiras ações do projeto

Logomarca do projeto

As atividades desenvolvidas referentes à primeira etapa do projeto "Caju e Cultura Tremembé: beneficiamento e valorização das tradições" foram executadas entre os meses de setembro e novembro e se concentraram basicamente na dimensão mais estrutural do projeto, neste caso, na ampliação da unidade de beneficiamento do caju.
Em paralelo à construção, vem sendo realizado o trabalho de acompanhamento técnico pela equipe da Ethnos, juntamente com a coordenação do CITCT no sentido de acompanhar in loco as etapas que envolvem a construção do empreendimento. Nos primeiros meses a equipe técnica esteve quase semanalmente na aldeia indígena acompanhando o andamento da obra.

Início da construção (set/2015)

Paredes levantadas (set/2015)
Foto: Ronaldo Santiago

Prédio construído (out/2015)
Foto: Ronaldo Santiago

Prédio construído, ao lado, a cozinha comunitária já existente (nov/2015)
Foto: Ronaldo Santiago

Construção concluída (nov/2015)
Foto: Ronaldo Santiago

Construção concluída (nov/2015)
Foto: Ronaldo Santiago

Ademais, o trabalho de mobilização social neste momento inicial se voltou para as mulheres, que consideramos o "coração" deste projeto. Neste sentido, foram realizados alguns encontros, de caráter mais informal, com as mulheres que atualmente estão trabalhando na cozinha comunitária, produzindo bolos e tapiocas para o PAA do município de Acaraú. Atualmente, o grupo produtivo conta com 14 mulheres.
A experiência atual com o PNAE e PAA tem sido utilizada como um condutor para as ações subsequentes do projeto, sobretudo, no que se refere à formação das mulheres na gestão do empreendimento comunitário. Neste aspecto, os acertos, mas sobretudo as falhas, estão sendo observadas de modo que as atividades do "projeto Caju e Cultura" contribuam para o aperfeiçoamento dos processos organizacionais, produtivos e de gestão financeira.

Reunião com as mulheres ao lado da cozinha comunitária
Foto: Thiago Oliveira

Momento de escuta das mulheres
Foto: Thiago Oliveira

Outra ação realizada pelo grupo de mulheres participantes do projeto foi a produção, em caráter experimental, da cajuína artesanal, mesmo sem a chegada dos novos equipamentos (que só virão quando a unidade for construída).
Essa produção inicial não teve um mercado definido e, mais do que sua dimensão econômica, teve o objetivo de trabalhar a tecnologia da cajuína sem a utilização de produtos sintéticos (cola) na fabricação.
Não obstante, a divulgação de uma cajuína 100% natural, mesmo num círculo relativamente restrito nas redes sociais, despertou a curiosidade e o interesse de diversas pessoas em vários municípios, se vislumbrando num futuro próximo a abertura de novos mercados.
A produção desse lote experimental de cajuína artesanal possibilitou o fortalecimento e a revalorização de uma tradição cultural dos Tremembé de Telhas que estava em franco esquecimento. Este é, certamente, um dos valores estratégicos que o Projeto "Caju e Cultura Tremembé" pretende desenvolver ao longo de sua execução.
Nos próximos meses serão realizadas tanto a compra dos equipamentos quanto a realização de alguns cursos previstos no projeto.

A Ethnos Socioambiental, além de parceira do CITCT, tem prestado assessoria técnica na gestão do projeto e nos processos de formação de pessoal.
Em breve o projeto "Caju e Cultura Tremembé" terá um site próprio, onde serão publicadas as atividades realizadas.

Mulheres preparando o caju para ser prensado
Foto: Ronaldo Santiago

Fazendo a filtragem do suco, que após ser envasado vai para o fogo
Foto: Ronaldo Santiago

Derivados do caju produzidos pelas mulheres tremembé: mocororó (dir.), cajuína e mel de caju
Foto: Ronaldo Santiago

Equipe do projeto:
Ronaldo Santiago - Antropólogo/Coordenador do Projeto - (Ethnos Socioambiental)
Tiago Silva Bezerra - Pedagogo, Zootecnista / Assessor Técnico - (Ethnos Socioambiental)
José Rogério de Sousa - Liderança indígena - (Coordenador Geral do CITCT)

Colaborador@s:
Rosiane Nascimento - Juventude Tremembé de Telhas
Brena Nicoly Nascimento - Juventude Tremembé de Telhas
Thiago Oliveira - Ethnos Socioambiental
Fernanda Lopes - Juventude Tremembé de Telhas


APOIADORES:



PARCEIROS:


sexta-feira, 23 de outubro de 2015

POVO TREMEMBÉ DA ALDEIA DE QUEIMADAS ACARAÚ -CE FAZEM RETOMADA DE TERRA!!!


NESTA ULTIMA TERÇA FEIRA, 20 DE OUTUBRO DE 2015, OS INDÍGENAS DA ETNIA TREMEMBÉ DA ALDEIA DE QUEIMADAS EM ACARAÚ  FIZERAM UMA RETOMADA DE TERRA EM UMA ÁREA OCUPADA POR LOTEIRO.  EM POSSE DE PORTARIA DECLARATÓRIA Nº 1.702  DOU 22/04/2013 OS TREMEMBÉ AGUARDAVAM A SAÍDA DO ULTIMO POSSEIRO DE SUAS TERRAS, SENDO QUE APÓS TRÊS ANOS DE ESPERA O GRUPO DECIDIU RETOMAR AS 24 HECTARES OCUPADAS. MAS QUE ESTA DENTRO DA (TI) DE QUEIMADAS DE ACORDO COM A PORTARIA QUE DECLARA A POSSE PERMANENTE DOS ÍNDIOS TREMEMBÉ DE QUEIMADAS. A OCUPAÇÃO ACONTECEU DE MANEIRA PASSIVA E CONTOU COM APOIO DA FUNAI (CTL) DE ITAREMA PARA A NEGOCIAÇÃO JUNTO AO (DNOCS) E OS LOTEIROS.

domingo, 12 de julho de 2015

Oficina de capacitação e implementação do PPP-ECOS Cerrado e Caatinga


Entre os dias 08 e 10 de julho ocorreu em Brasília a oficina de capacitação e implementação dos projetos selecionados no 22º edital do PPP-ECOS, promovido pelo ISPN. Durante os três dias, indígenas, quilombolas, geraizeiros, quebradeiras de coco e camponeses trocaram experiências e foram capacitados para a execução dos projetos aprovados por suas respectivas associações. Dentre as atividades propostas pela equipe de assessores do ISPN estavam as palestras sobre boas práticas na gestão de projetos, de prestação de contas e como proceder na elaboração dos relatórios financeiros e de progresso, itens condicionantes para a liberação dos recursos.
Além disso, um dos momentos mais enriquecedores da oficina foram as apresentações dos painéis elaborados pelas instituições contempladas no PPP-ECOS, onde puderam socializar experiências em produção agroecológica, beneficiamento de frutas e acesso a mercados. Outro ponto a se destacar foram as dificuldades que os pequenos produtores ainda enfrentam na comercialização de seus produtos e quais estratégias estão sendo utilizadas para romper as dificuldades.
O CITCT, que aprovou o projeto "Caju e Cultura Tremembé": beneficiamento e valorização dos saberes tradicionais na aldeia Telhas, esteve representado pela liderança Rosiane Nascimento, do comitê gestor, e pelo coordenador do projeto Ronaldo Santiago.

Apresentando os paineis do CITCT

Sem sombra de dúvidas, o evento proporcionou experiências riquíssimas entre os participantes e trouxe novas esperanças ao perceber que as práticas e os princípios agroecológicos, a responsabilidade ambiental e a valorização dos saberes tradicionais estão  sendo disseminadas país afora.

Apresentação dos paineis


  
Apresentação dos paineis

domingo, 31 de maio de 2015

Conselho de Telhas aprova projeto no 22º Edital PPP-ECOS

Em destaque (amarelo), o projeto do CITCT
 
No último dia 19 de maio, o ISPN divulgou o resultado dos projetos aprovados no 22º Edital do Programa de Pequenos Projetos Ecossociais - PPP-ECOS (imagem acima). Para nossa satisfação o projeto do Conselho dos Índios Tremembé do Córrego das Telhas - CITCT foi aprovado. Como mostramos em postagens anteriores, o projeto foi construído a partir de um processo dialógico e participativo, onde os indígenas apresentaram a demanda de trabalhar com o beneficiamento do pedúnculo do caju. Veja aqui.
Em linhas gerais, o projeto pretende incentivar a produção e comercialização de bebidas, doces e polpas a partir do beneficiamento do pedúnculo do caju, com ênfase para a cajuína, bebida produzida a partir de processo artesanal, segundo conhecimentos tradicionais das mulheres Tremembé.

Apesar do caju ser uma fruta abundante na terra indígena e os Tremembé terem considerável conhecimento na produção de seus derivados, até hoje tem sido subaproveitado porque os Tremembé não possuem meios para beneficiá-lo. Diante desta situação, boa parte do pedúnculo acaba sendo desperdiçado. 
Contribuindo para mudar esse quadro, o projeto visualiza no beneficiamento do caju um grande potencial no que se refere à geração de trabalho e renda, tendo em vista a produção e comercialização de cajuína, sucos, polpas, doces e outros alimentos, tanto para os programas governamentais (PAA e PNAE), contribuindo assim, para autonomia financeira das famílias envolvidas. 
Vale destacar que este projeto pretende realizar uma demanda antiga dos Tremembé, o de beneficiar um produto de grande importância e identificação cultural, tendo em vista a forte presença do caju na alimentação, na economia e na sociabilidade nativa.

Confira a lista completa dos projetos aprovados clicando aqui.
 

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Etnologia indígena: vivências etnográficas de um grupo de alunos da UVA com os Tremembé de Queimadas e Almofala

Torém na noite de sexta-feira, Queimadas, 20/03/2015
Foto: Leomário Muniz

O que transcrevo abaixo são alguns fragmentos dos relatórios de uma brevíssima experiência etnográfica vivenciada por um grupo de alunos do curso de Ciências Sociais da UVA (Sobral), em sua maioria, da disciplina de etnologia indígena, ministrada por mim esse semestre. (havia também alunos de Antropologia Brasileira e Antropologia II que manifestaram interesse vivenciar a experiência). 
Minha intenção ao proporcionar esta experiência acadêmica (e pessoal) aos alunos faz parte de uma visão que compartilho: a de que para estudar etnologia indígena é imprescindível o contato direto com os povos sobre os quais nos debruçamos teoricamente, na sala de aula.
Ao longo da disciplina os alunos foram introduzidos em um dos campos de estudo fundadores da Antropologia Brasileira, que durante muito tempo foi confundido com a própria disciplina. 
Na literatura etnológica especificamente selecionada para os seminários, optei por priorizar agendas, temas e questões pertinentes a realidade dos índios do Nordeste, afinal, nenhum outro contexto regional seria tão útil para aprender etnologia desconstruindo visões, esterótipos... 
Com este objetivo, nada mais pertinente que a culminância das discussões e descobertas relacionadas ao universo das populações indígenas ocorresse com uma experiência de campo em algum grupo específico. Por questões óbvias, o grupo escolhido foi os Tremembé. Mas faltava ainda decidir onde, especificamente, seria esse realizada essa experiência de três dias de campo.
No universo das distintas situações étnicas, não envidamos esforços para que os alunos tivessem a oportunidade de conhecer pelos menos duas terras indígenas, com processos históricos, fundiários e socioculturais diferentes. Assim, iniciamos a viagem em Queimadas e finalizamos em Almofala.

Para além das questões e obrigações acadêmicas (os alunos devem entregar um relato etnográfico da visita que valerá com uma das notas da disciplina), outra motivação, talvez mais importante, é a de que precisamos diminuir a distância e o desconhecimento das populações indígenas, sobretudo no Nordeste, onde ainda é comum o pensamento "de que não existem mais índios". Junto desse desconhecimento, outra questão urgente é a desconstrução do imaginário colonial acerca das populações indígenas, anacrônico, porém, ainda muito presente.

Alunos atentos para ouvir as lideranças indígenas, Queimadas, 21/03/2015
Foto: Ronaldo Santiago

Pois bem, esse post não se encerra na primeira publicação. À medida que forem sendo entregues, irei gradativamente inserindo fragmentos dos relatórios dos alunos. Eles tem caráter educativo, pois expressam impressões de alunos que em sua maioria nunca tiveram contato, nem acadêmico nem pessoal, antes de participarem da disciplina. Além disso, tem também caráter pedagógico, na medida que constituem um exercício etnográfico no campo e na escrita.

Neste sentido, inicio com fragmentos do relatório de duas alunas da disciplina de Antropologia II (3º período).


“Amei os tremembés, são pessoas simples, alegres nos receberam muito bem da criança ao mais velho, confesso que esperava uma comunidade bem menos desenvolvida, pois meio que levei comigo um pouco de preconceito acreditando que por ser indígenas, não havia desenvolvimento, porém voltei com outra opinião eles com certeza conseguiram tirar da minha cabeça aquele preconceito estereotipado que por ser índios tinha que está com frechas nas mãos ou nus.
A Elaine é uma mulher incrível, inteligente, lutadora; adorei ela. Amei todos eles! Confesso que na umbanda senti vontade de correr na hora que os seres encantados começaram a descer. Só não peguei nas mãos dos meus colegas que estavam perto de mim, porque não podia cruzar as mãos, mais eu meio que senti muito medo. Porém, depois que os seres encantados começaram a descer meio que me deu uma crise de riso, acho que foi um efeito do medo. Alguns minutos depois a crise de riso e o medo sumiram e apareceu um respeito muito grande pela umbanda, pois foi uma experiência única”.

“A noite teve apresentações das crianças da escola indígena, onde estes nos apresentaram uma dança indígena e houve a comemoração do aniversário da escola. Depois da apresentação das crianças ocorreu o torém, uma dança cultural dos Tremembé. As pessoas da comunidade, e nós visitantes, pudemos participar, no primeiro momento as pessoas da comunidade ficaram um pouco receosas para participar, acredito que foi por tem pessoas desconhecidas participando, ou seja, nós.
Porém, ao passar os minutos todos eles começaram a entrar na roda e participar da dança foi muito interessante, pois era basicamente dançar em roda, e fazer alguns passos que eram comandados pelo o som do maracá. No meio da roda ficam os torenzeiros que cantam e comandam o torém. Depois de alguns minutos a dança parava e todos que estavam na roda poderiam provar o tão esperado mocororó, um tipo de bebida fermentada de caju tinha um gosto um pouco estranho ao meu ver, porém foi percebido que é uma bebida bastante apreciada pelos visitantes como pela própria comunidade”.
Depois desta dança houve a apresentação do reisado, o reisado era formado por um grupo de músicos, cantores e dançarinos que brincavam um com os outros tirando prosas e também tinha a velha que não mostrava o seu rosto e todos ficavam em círculos tirando brincadeiras um com os outros. Depois de um momento de brincadeiras aparece o boi que consisti de uma pessoa com trajes parecendo com o boi”.

“Foi observado que eles respeitam a sua própria cultura e que não são iguais a gente, pois tudo para nós tem horários determinados e eles não. Na cerimônia da dança eles paravam e usavam um tempo que acreditavam ser necessário e no reisado também, não se preocupando com o horário, se demoraria ou não. A comunidade também participava com muita alegria”.

“Uma das senhoras da comunidade nos explicou sobre a lenda da lagoa encantada, aonde ela disse que alguns moradores já foram à procura desta lagoa e quase encontraram, pois um senhor viu uma planta molhada sendo que não tinha chovido nesse dia, e ele associou que poderia ser por causa da lagoa encantada, ele foi chamar os seus amigos, mais quando voltaram não encontraram mais esta planta. A lagoa encantada teria sido um pajé que teria encantado ela e que só uma pessoa que possuísse os poderes iguais ao do pajé poderia desencantar a lagoa.
Foi interessante perceber que para falar com as pessoas da comunidade tinha que saber perguntar, pois foi preciso fazer a mesma pergunta algumas vezes de uma maneira que eles pudessem entender a pergunta usando a sua linguagem”.
Andreína Carneiro
Disciplina: Antropologia II (3º semestre de Ciências Sociais)



“No dia 20 de Março de 2015 os estudantes do curso de Ciências Sociais da Universidade Estadual Vale do Acaraú, juntamente com o professor Ronaldo Santiago Lopes, saíram da cidade de Sobral com o destino as comunidades dos índios Tremembé de Queimadas (Acaraú) e Almofala (Itarema), tendo como objetivo todos terem a oportunidade de uma experiência etnográfica, conhecer e vivenciar de perto a cultura indígena dos Tremembé.
Ao chegarmos à comunidade indígena de Queimadas fomos muito bem recepcionados pelas as lideranças locais, que se mostraram bastante alegres com nossa visita, desde as crianças aos mais idosos, muito receptíveis. Dirigimo-nos a um local no centro da aldeia, que normalmente são realizados encontros e momentos culturais da comunidade, onde ocorreu uma breve recepção com o pajé entoando cantos que fazem parte da cultura deles. Em seguida todos foram devidamente alojados em casas, centro comunitário e na Escola Indígena Tremembé de Queimadas”.

“Nesse caso a Escola Indígena Tremembé de Queimadas tem a função não somente de oferecer uma educação formal delimitada, mais uma educação sociocultural, onde as crianças desde cedo conheçam sua historia e identidade cultural e aprendam a valorizar e manter, dando continuidade às gerações seguintes assim como seus pais, avôs, bisavôs e etc. A escola passa a ser uma ferramenta essencial pra que a cultura dos Tremembé seja resgatada, vivenciada e repassada”.
Maria da Conceição Borges
Disciplina: Antropologia II (3º semestre de Ciências Sociais)

Roda de conversa, Queimadas, 21/03/2015
Foto: Ronaldo Santiago
Alunos com o cacique João Venâncio e pajé Luis Caboclo, Almofala, 22/03/2015