domingo, 21 de setembro de 2014

Etnologia Indígena na UVA/Sobral: Cacique João Venâncio e Pajé Luis Caboclo ministram aula sobre a história tremembé



Gostaria de agradecer publicamente ao cacique João Venâncio e ao pajé Luis Caboclo, do Povo Tremembé (como gostam de ser identificados), pela aula de história e etnologia proferida no último dia 18 para os alunos do curso de Ciências Sociais da UVA (a grande maioria deles, recém egressos no curso).
Pela atenção da plateia durante a fala das duas lideranças indígenas, pelas dúvidas, perguntas e debates suscitados ao longo desse encontro que, se não fosse pela limitação do tempo se estenderia ainda mais, ficou evidente a importância desse tipo de encontro para tentarmos superar esse fosso de desconhecimento que ainda persiste em grande parte da nossa população acerca dos processos históricos protagonizados pelos povos indígenas ao longo desses cinco séculos de “Brasil”.
Como antropólogo, professor e indigenista, fiquei muito feliz porque pude ver um lado positivo do desconhecimento dos nossos alunos, aquele que se traduz em curiosidade que se abre para conhecer nossa “alteridade próxima”; quando se permite que esse outro (tão perto e ao mesmo tempo tão distante) possa falar de si próprio, desconstruindo visões, imagens e representações estereotipadas e anacrônicas.
Se levarmos em consideração que os Tremembé de Almofala constituem apenas uma parte da história desse povo (ainda temos os Tremembé do Córrego João Pereira, de Queimadas, da Barra do Mundaú, de Raposa no Maranhão), chegaremos a conclusão de que temos um longo caminho a ser trilhado se quisermos realmente saber a história indígena das dezenas de povos espalhados pelo nosso Ceará, para ficarmos só aqui no nosso estado (imagina no Brasil...).
Além do exercício de desconstrução, oportunidades como estas também nos mostram o fato de que os capítulos de nossa história sobre os índios pode e deve ser revista, reescrita e ampliada (e bote ampliada nisso).
Por fim, confesso que sou admirador de João Venâncio e Luis Caboclo pela maestria com que lidam com esses encontros e a maneira segura e altiva com que ocupam esses espaços, inclusive o espaço acadêmico, e com seu modo próprio comunicam sua mensagem. Tudo isso com muito bom humor e espontaneidade.
Não é por acaso que os dois são mestres, “mestres da cultura”...









Obs: Todas as fotos desta postagem são de Tiago Silva Bezerra