terça-feira, 16 de agosto de 2011

Formação de Agentes de ATER de Alagoas no trabalho com Povos Indígenas


O Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA), através da Rede Temática de ATER junto aos Povos Indígenas, vem participando desde o início do ano de 2011, do processo de formação dos novos Agentes de ATER do estado de Alagoas, promovido pela Secretaria de Agricultura do Estado de Alagoas - SEAGRI. O articulador da Rede no estado de Pernambuco, extensionista Iran Neves Ordonio, participou do processo de formação inicial de técnicos em fevereiro deste ano e novamente foi convidado a participar do processo de formação da nova turma com 63 agentes bolsistas, que aconteceu entre os dias 25 julho e 12 de agosto no Centro de Treinamento do IPA, em Carpina – PE.
Esse período de formação prevê uma sensibilização e nivelamento básico sobre os temas da agricultura familiar para esses novos técnicos da SEAGRI-AL, estando a ATER Indígena entre os temas trabalhados. Ressaltamos que apenas uma pequena parte desses novos técnicos irão atuar diretamente em comunidades indígenas, mas o tema é trabalhado com todos inclusive pensando na construção de uma cultura institucional da ATER Pública para o compromisso do serviço de ATER diferenciada e adequada junto aos Povos Indígenas.








Nos dias 02 e 03 de agosto, o extensionista Iran ministrou aulas referentes ao módulo “Etnodesenvolvimeno e Ater Indígena”, em conjunto com a articuladora da nacional da Rede, Sílvia Ferrari e com a consultora do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Rafaella Carvalho.
Na oportunidade, as atividades que vêm sendo desenvolvidas na Terra Indígena Xukuru do Ororubá, município de Pesqueira, em parceria com a Associação Indígena Xukuru e Equipe Técnica Jupago, foram apresentadas como experiências piloto e de certa forma pioneiras no estado, pois buscam através dos serviços de ATER promover processos e estratégias para implantar políticas públicas que venham a contribuir com o projeto de vida do Povo Xukuru.
Os serviços de ATER indígena devem envolver ações de participação e cooperação junto as formas organizativas internas de cada Povo Indígena, na perspectiva de consolidar os elementos que orientem esse projeto de vida, sendo baseado pelo conhecimento ancestral e respeito a natureza sagrada, além de garantir a terra livre e seu uso coletivo. As atividades buscam identificar e potencializar práticas, sistemas e cultivos tradicionais para fortalecer a agricultura do Povo Xukuru, além de viabilizar modelos alternativos de produção e comercialização adequando-os a lógica indígena. Como exemplo podemos citar o Programa de Aquisição de Alimentos – PAA, nas modalidades Leite e Compra Direta para Doação que possibilita a comercialização de produtos diversificados das unidades familiares indígenas, ampliando a rede de solidariedade e fortalecendo relações sociais dentro de princípios de partilha e reciprocidade.
Ainda, durante a realização do curso, foram realizadas discussões com os participantes sobre a temática indígena, com apresentação teórica de conceitos como cultura, alteridade, etnocentrismo, etnodesenvolvimento, relações interétnicas e diversidade cultural e regional dos povos indígenas, bem como apresentação sobre a visão do MDA em relação a ATER em Áreas Indígenas e alguns pontos da legislação indigenista. Foram trabalhadas leituras de textos e divisão dos participantes em grupos que estimularam o debate e a reflexão sobre a realidade indígena no Brasil e no Nordeste, e as possíveis maneiras de se prestar um serviço de ATER às comunidades indígenas de forma diferenciada, respeitando suas culturas, tradições e especificidades.