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sábado, 30 de março de 2013

Índios Tremembé buscam Sebrae para qualificar artesanato.




Objetivo da tribo é melhorar a produção artesanal da comunidade sem perder a identidade cultural
Ana Lúcia Machado
Fortaleza - Nos séculos XVI e XVII, eles ocuparam uma extensa região do litoral brasileiro, que ia do Ceará até o estado do Pará. Hoje, os índios Tremembé – que em Tupi significa água boa para a saúde ou lugar encharcado – estão fixados, principalmente, nos municípios de Itarema, Acaraú e Itapipoca, a cerca de cem quilômetros de Fortaleza. Eles lutam, agora, para manter o que lhes sobrou da cultura ancestral de forma sustentável, preservando a identidade indígena. Essa foi uma das razões que levou o Conselho dos Índios Tremembé do Córrego das Telhas, do município de Acaraú, onde a aldeia de mesmo nome fica situada, a procurar o Escritório Regional do Sebrae na cidade de Itapipoca.


Criado com o objetivo de promover melhorias sociais, econômicas, políticas e culturais na comunidade Tremembé do Córrego das Telhas, o Conselho tem a missão de defender os direitos dos índios, apoiando a autonomia cultural, econômica e social do povo Tremembé. A articulação com o Sebrae é fruto de um trabalho de Assessoria Técnica que vem sendo realizado desde 2009. Em 2010, os técnicos Tiago Silva, pedagogo, e Ronaldo Santiago, antropólogo, por meio de um Diagnóstico Rural Participativo (DRP), observaram o potencial da comunidade para elaboração de futuros projetos.

Dona Maria mostrando seu potencial em trançar palha.

O primeiro encontro entre os técnicos do Sebrae e os representantes do Conselho identificou as principais vocações produtivas da comunidade. O artesanato feito com matéria-prima e elementos da região foi escolhido para abrir as ações, devido ao diferencial competitivo do produto no mercado, principalmente as peças em palha do bilro e a produção de biojoias.


Registro final
Agora, em uma segunda etapa, o Sebrae no Ceará vai levar até a tribo um consultor em artesanato que irá analisar a matéria-prima local, a capacidade produtiva do grupo e definir o início das atividades de capacitação. A expectativa é abrir uma nova frente de geração de renda para a tribo, principalmente porque as peças atendem à demanda mercadológica, que exige que a identidade e cultura do lugar estejam representadas na produção.

Serviço:
Agência Sebrae de Notícias – Ceará (85) 3255-6609 ou 3255-6820
www.ce.agenciasebrae.com.br
Central de Relacionamento Sebrae - 0800-570-0800
Para ver a matéria original clique aqui.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Oficina de Agroecologia e Permacultura em Terra Indígena, Tremembé


Este final de semana, entre o dia 15 e 18, iniciamos uma oficina de Introdução à Agroecologia na aldeia indígena Tremembé de Queimadas, Acaraú-CE. Essa atividade faz parte do item 4 previsto pelo Projeto de Mulheres que foi aprovado pelo Carteira Indígena (CI)/MMA no valor de R$ 49.600,00. O objetivo do projeto é fortalecer a Organização das Mulheres Indígenas através de reuniões, encontros e formações, do Conselho Indígena por meio da estruturação, compra de equipamentos e formação em Gestão de Grupo, a promoção do Manejo Ecológico  dos sistemas de produção e conservação dos recursos naturais, via produção de mudas de essências florestais e frutíferas, implantação de Sistemas Agroflorestais (SAFs) e capacitação em Agroecologia, e ainda o fortalecimento da Cozinha Comunitária  a partir da compra de equipamentos e acesso à Mercados de Compra Institucional, como PAA e PNAE.
Reunião com a comunidade de Queimadas.
Como foi falado no início do texto, a atividade realizada recentemente foi uma Oficina de Agroecologia com carga horária de 36 horas. Essa atividade tem como objetivo capacitar indígenas que estão iniciando a implantação de seus quintais, através de técnicas de manejo ecológico do solo e ampliar alguns conceitos sobre permacultura em Terras Indígenas. Porém, por conta de alguns probleminhas que surgiram no início do Projeto (que ficou parado mais de 3 meses) tivemos que centrar um pouco mais de energia em diálogos organizacionais, a fim solucionar ou mitigar futuros problemas de organização e gestão do projeto.
Assim, a formação foi estrutura em 3 momentos (organização para produção de mudas, distribuição e mutirão de plantio, manejo e tratos culturais do sistema de produção).
  • Organização e produção de mudas – O projeto tem recursos para aquisição de 10 mil mudas diversificadas. Como a comunidade já tem um Viveiro de Mudas ativo e existem pessoas capacitadas para a produção, nada mais justo que a comunidade produza essas mudas e o recurso circule dentro da aldeia, trabalhando assim o princípio da Economia Solidária. Diante disso, foi feita reunião com os possíveis produtores (no total de 10) e explicado como deveria ser feita a produção, em quantidade e diversidade (cerca de 20 espécies de plantas frutíferas e nativas, sendo uma quantidade de 1 mil mudas, cada produtor). Assim, aproveitamos a formação para fazer um diagnóstico da situação das mudas tendo como perguntas geradoras: Quem produziu o quê? Quantas? Qual o estado de desenvolvimento das mudas? Quem da comunidade vai querer o quê e quantas? Diante dessas perguntas tivemos como resposta, que foram produzidas nessa primeira etapa cerca de 6 mil mudas e 28 famílias que irão plantar um total de 3 mil mudas. Um número ainda reduzido, pois muitas ainda estão iniciando seus quintais e não têm experiência com o plantio e cuidado de mudas. 
Levantamento e seleção das mudas que serão distribuídas para a comunidade (Quintal de Dona Socorro). 
Produção de Mudas dentro do Sistema Agroflorestal em Transição (Polonga).
Mudas de cajueiro em estado avançado de desenvolvimento, pronto para ser transplantado (Sr. Chiquinho).
Viveiro de Mudas da Comunidade de Queimadas com capacidade de produção de mais 10 mil mudas
(Responsáveis: Evaldo, Luciano, Paulo e Oliveira).
Mudas de Angico (nativa).
Mudas de Emburana de Cheiro ou Cumaru (nativa).
  • A distribuição será feita nessa semana e haverá no final de semana dos dias 23 a 25 de fevereiro de 2013 um mutirão para plantio coletivo de todas as áreas a fim de garantir que todas as mudas estarão na “terra” até o início de fevereiro. Com o restante das mudas (3 mil) ficou como um acordo que estas serão doadas, juntamente com a presença da CTL de Itarema, sob a coordenação de Antonio Neto, para as comunidades de Telhas, Capim Açu, São José e Cajazeiras, da Terra Indígena Córrego João Pereira. Essa foi uma demanda construída a partir da visita que fizemos em outubro de 2012 a TI do Córrego com a presença do grupo consultor do GATI, Gestão Ambiental em Terras Indígenas, que contou com a presença de Isabel e Alexandre Pankaruru. E que será feito contato com indígenas do Córrego para irem participar da formação nesse período e aproveitar para se envolver no mutirão.
  • Os tratos culturais serão feitos no momento do mutirão onde serão dividias equipes e em cada uma delas terá uma pessoa indígena multiplicador, experiente na área de manejo ecológico, para informar aos demais como será feito o manejo. Aproveitaremos para fazer práticas de compostagem, produção de repelentes e biofertilizantes.

Ainda na visita aproveitamos para visitar a experiência de alguns quintais que vem dando certo desde 2009 e que estão bem desenvolvidos e não entra 1 g de agroquímico. Abaixo segue as fotos do quintal do Mairton, da Mandala.  
Plantio consorciado de pimenta de cheiro, macaxeira, feijão de corda, milho, araticum, pimentão e mamoeiro.
Hortas rotacionadas com plantio folhosas (cebolinha), depois será plantada tuberosas e em seguida frutos.
Mandala com produção de galinha na parte coberta, tilápia (alimentadas 30% com ração e o restante folhas
de macaxeira, batata doce e feijão) e fertirrigação para a hortas.
Em breve mais postagens sobre a conclusão da oficina e da entrega de mudas para o Córrego João Pereira.

terça-feira, 13 de março de 2012

Assistência Técnica e Extensão Rural para índios é tema de encontro nacional

Foto: Davi Alves / MDA
Começou na manhã desta terça-feira (13), em Brasília, o 1º Seminário de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater) Indígena. O evento segue até o dia 15 de março e é realizado pelo Ministério do Desenvolvimento agrário (MDA). Lideranças de comunidades nativas, representantes de entidades associativas e do governo federal participam do encontro.
Dentre os objetivos, está a análise dos serviços de assistência para os índios, as formas de aplicação e as diretrizes que serão adotadas nos próximos anos. A ideia é  contribuir para a Lei Nacional de Ater, reforçando as especificidades culturais. Durante a abertura, os índios presentes fizeram um ritual para atrair boas energias.
“Sabemos dos desafios de articular temas com essa relevância e diversidade. O Brasil deve muito aos povos indígenas. Por isso, é preciso debater sobre suas  necessidades. Vale lembrar que a presidenta Dilma Rousseff sempre reconheceu a prioridade do assunto”, explicou o secretário de Desenvolvimento Territorial do MDA, Jerônimo Rodrigues. Ele ressaltou a importância do Seminário. “Este é um espaço de troca de experiências que pela primeira vez reúne etnias de todas as regiões do Brasil”.
O encontro também visa ampliar a participação das comunidades indígenas no processo de construção do Programa Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural da Agricultura Familiar (Pronater). Outro objetivo do ministério  é fortalecer a Rede Temática de Ater junto aos índios. O resumo das discussões será apresentando por meio do Documento Base da I Conferência Nacional de Ater na Agricultura Familiar (1ª CNATER), que ocorrerá em abril, também em Brasília.
Para o representante da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) Ari Pankará, o evento é uma realização que vem sendo idealizada desde 2007. “É muito importante que as ideias sejam analisadas da base para a cima. Ou seja, é uma oportunidade de dialogar da melhor forma com o governo, mostrando o que é realmente necessário para nós. Creio que seja a união do conhecimento tradicional com o acadêmico, para que possamos ter uma Ater cada vez mais especifica e  fortalecida para os povos indígenas”, argumentou.
Iran Chukuru, da etnia Chukuru, veio de Pernambuco com membros da sua comunidade para acompanhar o seminário. Atualmente, a aldeia em que vivem produz mandioca, hortaliças e algumas frutas, garantindo a segurança alimentar da comunidade. “Queremos que a ATER seja um processo contínuo, auxiliando na produtividade e ao mesmo tempo mantendo nossas tradições. Esta é nossa oportunidade de conversar com o governo e mostrar os benefícios dos serviços de assistência técnica específico para os povos indígenas,”, contou.
O 1º Seminário Nacional de Ater Indígena tem parceria do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), da Coordenação Geral de Promoção ao Etnodesenvolvimento (CGETNO/Funai) e da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib). A programação inclui trabalhos em grupo, balanços e perspectivas da Política nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (PNATER) e avaliação de projetos e propostas.

A Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater)
Os serviços de Ater são destinados a quilombolas, assentados da reforma agrária, ribeirinhos e agricultores familiares em geral. As equipes de trabalho que atuam no campo são compostas por profissionais de diversas áreas, como engenharia agrônoma e sociologia. Para os indígenas, o MDA vem beneficiando as comunidades desde 2004.
“A gama de responsabilidades da Ater é ampla, priorizando os processos sustentáveis. Por isso, trazemos a assistência técnica junto com a extensão rural. Os técnicos que lidam com os índios precisam saber quais as peculiaridades de cada local e o Seminário nos ajudará a compreender melhor como lidar com elas,  potencializando os serviços”, conluiu a analista em Reforma e Desenvolvimento Agrário do MDA, Silvia Ferrari.

Serviço:
1º Seminário Nacional de Ater Indígena
Data: 13 a 15 de março de 2012
Local: Centro de Convenções Israel Pinheiro, Brasília/DF
Horário: de 8h30 às 18h

quarta-feira, 7 de março de 2012

Representante indígena de Acaraú na Conferência Estadual de ATER

Os Tremembé de Acaraú terão um representante indígena na Conferência Estadual de ATER em Fortaleza, dias 15 e 16 de março. A liderança Cleiciano Tremembé, da aldeia Queimadas, é o representante indígena do Território Litoral Extremo Oeste.
Segue abaixo a relação dos delegados que irão para a CNATER.



segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Apresentação de trabalho no Congresso Brasileiro de Agroecologia

Olá pessoal
Estarei apresentando o trabalho Assistência Técnica e Extensão Rural – ATER aos povos indígenas: relatos de uma experiência com as comunidades Tremembé de Acaraú, de minha autoria e em co-autoria com o Tiago Silva, no Congresso Brasileiro de Agroecologia, em Fortaleza/CE. A apresentação será amanhã, 13/12/2011, entre 16 e 17 horas.
Essa comunicação é um dos produtos do nosso trabalho de ATER Indígena com as aldeias Tremembé de Queimadas e Telhas, no período de 2009 a 2011.
Segue abaixo a imagem do banner.



Enquanto não sai a publicação oficial das comunicações no site da ABAgroecologia, disponibilizo aqui uma versão preliminar deste trabalho. Para quem se interessar, é só acessar o link AQUI

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Formação de Agentes de ATER de Alagoas no trabalho com Povos Indígenas


O Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA), através da Rede Temática de ATER junto aos Povos Indígenas, vem participando desde o início do ano de 2011, do processo de formação dos novos Agentes de ATER do estado de Alagoas, promovido pela Secretaria de Agricultura do Estado de Alagoas - SEAGRI. O articulador da Rede no estado de Pernambuco, extensionista Iran Neves Ordonio, participou do processo de formação inicial de técnicos em fevereiro deste ano e novamente foi convidado a participar do processo de formação da nova turma com 63 agentes bolsistas, que aconteceu entre os dias 25 julho e 12 de agosto no Centro de Treinamento do IPA, em Carpina – PE.
Esse período de formação prevê uma sensibilização e nivelamento básico sobre os temas da agricultura familiar para esses novos técnicos da SEAGRI-AL, estando a ATER Indígena entre os temas trabalhados. Ressaltamos que apenas uma pequena parte desses novos técnicos irão atuar diretamente em comunidades indígenas, mas o tema é trabalhado com todos inclusive pensando na construção de uma cultura institucional da ATER Pública para o compromisso do serviço de ATER diferenciada e adequada junto aos Povos Indígenas.








Nos dias 02 e 03 de agosto, o extensionista Iran ministrou aulas referentes ao módulo “Etnodesenvolvimeno e Ater Indígena”, em conjunto com a articuladora da nacional da Rede, Sílvia Ferrari e com a consultora do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Rafaella Carvalho.
Na oportunidade, as atividades que vêm sendo desenvolvidas na Terra Indígena Xukuru do Ororubá, município de Pesqueira, em parceria com a Associação Indígena Xukuru e Equipe Técnica Jupago, foram apresentadas como experiências piloto e de certa forma pioneiras no estado, pois buscam através dos serviços de ATER promover processos e estratégias para implantar políticas públicas que venham a contribuir com o projeto de vida do Povo Xukuru.
Os serviços de ATER indígena devem envolver ações de participação e cooperação junto as formas organizativas internas de cada Povo Indígena, na perspectiva de consolidar os elementos que orientem esse projeto de vida, sendo baseado pelo conhecimento ancestral e respeito a natureza sagrada, além de garantir a terra livre e seu uso coletivo. As atividades buscam identificar e potencializar práticas, sistemas e cultivos tradicionais para fortalecer a agricultura do Povo Xukuru, além de viabilizar modelos alternativos de produção e comercialização adequando-os a lógica indígena. Como exemplo podemos citar o Programa de Aquisição de Alimentos – PAA, nas modalidades Leite e Compra Direta para Doação que possibilita a comercialização de produtos diversificados das unidades familiares indígenas, ampliando a rede de solidariedade e fortalecendo relações sociais dentro de princípios de partilha e reciprocidade.
Ainda, durante a realização do curso, foram realizadas discussões com os participantes sobre a temática indígena, com apresentação teórica de conceitos como cultura, alteridade, etnocentrismo, etnodesenvolvimento, relações interétnicas e diversidade cultural e regional dos povos indígenas, bem como apresentação sobre a visão do MDA em relação a ATER em Áreas Indígenas e alguns pontos da legislação indigenista. Foram trabalhadas leituras de textos e divisão dos participantes em grupos que estimularam o debate e a reflexão sobre a realidade indígena no Brasil e no Nordeste, e as possíveis maneiras de se prestar um serviço de ATER às comunidades indígenas de forma diferenciada, respeitando suas culturas, tradições e especificidades.


domingo, 23 de janeiro de 2011

Publicação do MDA relata os desafios e experiências da ATER Indígena

A Secretaria da Agricultura familiar – SAF/MDA e o Núcleo de Estudos Agrários e Desenvolvimento Rural – NEAD lançaram no final de 2010 o livro Experiências de Assistência Técnica e Extensão Rural junto aos Povos Indígenas: O Desafio da Interculturalidade que relata algumas experiências de ATER Indígena em diversos comunidades indígenas do Brasil, além de refletir sobre os principais desafios a serem enfrentados pelas organizações indígenas e indigenistas.
  

Segundo consta na apresentação do livro, "a sistematização destas reflexões [artigos] é oportuna para  aprofundar e qualificar as especificidades do trabalho com povos indígenas. Permitindo a reunião de subsídios e argumentos para constantes aperfeiçoamentos na forma de viabilizar as experiências de assistência técnica, incluindo diretrizes, metodologias, critérios, procedimentos, formas de funcionamento, etc".
              A versão em pdf encontra-se disponível no endereço: http://www.mda.gov.br/o/6411145