quarta-feira, 2 de novembro de 2011

III Assembléia das Mulheres Indígenas do Ceará


Entre os dias 28 a 30 de outubro de 2011,foi realizado na aldeia Praia, terra indigena dos Tremembé a III Assembleia das Mulheres Indígenas do Ceará. As mulheres debateram temas como Terra e Saúde. Estratégias de maior participação das mulheres no movimento indígena. A assembleia contou com a participação da Cacica Dorinha Pankará que em muito contribuiu com sua experiência de luta. Dorinha é representante das mulheres indígenas em Pernambuco. A coordenadora do Departamento de Mulheres Indígenas da APOINME Ceiça Pitaguary também participou da Assembleia e relatou a atual conjuntura do movimento indígena e as dificuldades que os movimentos sociais estão enfrentando para manter as suas organizações. Na ocasião foram eleitas as novas coordenadoras da ARTICULAÇÃO DAS MULHERES INDIGENAS DO CEARÁ – AMICE. Sendo eleita como coordenadora geral a Cacica Bida Jenipapo Kanindé, para um mandato de 2 anos. Segue a carta elaborada pelas mulheres.
Ceiça Pitaguary





Carta das mulheres indígenas do Ceará

A sociedade cearense
Reunidas de 28 a 30 de outubro de 2011 na aldeia dos índios Tremembé, município de Itarema – Ceará, as mulheres indígenas dos Povos, Anacé, Tapeba, Pitaguary, Tremembé, Jenipapo Kanindé, Tapuia Kariri, Tabajara, Potiguara, Kariri, Tupinambá, Kanindé de Aratuba e Pankará de Pernambuco. Envolvidas num clima de muita força e respeito à Terra discutimos e esclarecemos temas que julgamos importante para as mulheres indígenas da nossa região. Diante disso queremos salientar que:
Reivindicamos de forma imediata a demarcação dos nossos territórios, para que nossas famílias possam viver dignamente. Informamos que continuaremos defendendo o nosso direito de usufruto exclusivo da Terra. Não aceitamos negociação e nem venda. Nossas lideranças hoje estão sendo criminalizadas por defender a mãe terra, pois ela é nossa vida. Dessa forma continuaremos a fazer retomadas das nossas terras, pois entendemos que só dessa maneira teremos acesso a ela, para garantir moradia digna, cultivo e infra estrutura de serviços essenciais como escolas e postos de saúde.
As mulheres indígenas repudiam de forma veemente a forma de desenvolvimento empregado pelo governo. De não respeitar os povos indígenas e de constante violação dos direitos das mulheres, homens e crianças. Queremos salientar que não somos contra o progresso, mas não aceitamos esse progresso de qualquer forma.
Queremos a implementação imediata da autonomia dos Distritos Sanitários Especiais Indígenas, para que nossos profissionais sejam contratados diretamente sem ser terceirizados.
Também exigimos respeito a nossa maneira de educar os nossos filhos e queremos que realmente a nossa educação indígena sirva para formar guerreiros e guerreiras para atuarem de forma forte e decisiva dentro do movimento indígena.
Enfim, nós mulheres indígenas do Estado do Ceará estaremos sempre atentas e vigilantes e não nos calaremos diante de nenhuma injustiça que afete e desrespeite nossos povos indígenas.
Itarema – 30 de outubro de 2011

Texto e imagens: apoinme.org.br