quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Um ano do blog Comunidades Tremembé de Acaraú


Imagem da internet


Hoje o blog Comunidades Tremembé de Acaraú está comemorando seu primeiro aniversário. Durante esses doze meses vários eventos ocorreram, muita coisa mudou e alguns imprevistos aconteceram. Poderia fazer um balanço de tudo, mas me falta tempo diante dos afazeres. Isso fica para um próximo momento.
Entretanto, o blog continuará, na medida de nossas limitações, contribuindo nas discussões em torno da assistência técnica e extensão rural aos povos indígenas, tema demasiado importante para sustentabilidade indígena.

Parabéns e vida longa ao blog!!!

Ronaldo Santiago

domingo, 4 de setembro de 2011

Novidades no Plano Safra da Agricultura Familiar 2011/2012



Valter Bianchini 
Extensionista estadual do Instituto Emater Paraná, Doutor em Meio Ambiente e Desenvolvimento pela Universidade Federal do Paraná.
Boletim Eletrônico Departamento de Estudos Socioeconômicos Rurais – DESER


O Plano Safra 2011/2012 que será lançado no dia 12 de julho em Francisco Beltrão, mantem o volume de crédito de R$ 16 bilhões de reais e apresenta um conjunto de novidades para a agricultura familiar.
Até maio de 2011 os recursos liberados para a agricultura familiar eram de R$ 9,5 bilhões (59% em relação aos R$16 bilhões anunciados). No mesmo período, para a agricultura empresarial os recursos liberados haviam sido de R$ 76,5 bilhões para um montante de R$100 bilhões anunciados (76,5%). Em relação ao PRONAF, o baixo índice do aplicado em relação ao
disponibilizado justificou a não ampliação dos recursos a serem disponibilizados na safra 2011/2012.
As dificuldades de se potencializar e ampliar um modelo de assistência técnica e extensão rural que tem no PRONAF crédito, um dos instrumentos ancora para as diferentes tipologias da
agricultura familiar, é um dos entraves para se ampliar o acesso e a aplicação do crédito disponibilizado. A crescente seletividade dos bancos, preocupados com a inadimplência contribui para a redução do número de contratos e do valor aplicado.
Identificar as necessidades e os entraves de um novo público situado nas regiões mais pobres, com renda familiar abaixo dos níveis de capitalização, com sistemas de produção não integrados às cadeias agroindustriais e ou de exportação, e com dificuldades de documentabilidade e de ATER é outro entrave para se ampliar o acesso do PRONAF em valores e no número de contratos.

Novidades do Plano Safra da Agricultura Familiar

O novo Plano Safra da Agricultura Familiar, não apresenta alterações nos limites de investimento e de custeio. Continua R$ 130 mil para investimento e R$ 50 mil para custeio. A partir da aprovação do novo manual de crédito rural pelo BACEN os limites devem ser elevados para R$ 200.000,00 os investimentos e R$ 100.000,00 para custeio.
A partir desta safra, as condições do Mais Alimentos – juros de 2% ao ano, prazo de pagamento de até dez anos e até três anos de carência – são estendidas às linhas Investimento e Agroindústria. Para investimentos até R$ 10.000,00 os juros serão de 1% ao ano. Para investimentos superiores a R$10 mil até R$130 mil os juros serão de 2% ao ano. Os créditos para os grupos especiais: A, B, Jovem e Semiárido continua com juros diferenciados.
Para as modalidades de custeio os juros permanecem em 1,5% ao ano para contratos até R$10 mil, de 3% ao ano para contratos de mais de R$ 10 mil até R$ 20 mil e juros de 4,5% ao ano para contratos de mais de R$ 20 mil até R$ 50 mil.
Para a Juventude Rural, o novo limite será de R$12.000,00 acréscimo de 20% em ralação ao ano anterior, com juros de 1% ao ano. Com a novidade de que se houver acompanhamento de ATER será possível acessar esse crédito, independente de cursos de formação profissional e cursos técnicos de alternância. A SAF promete monitorar a liberação de recursos do Tesouro para o Banco do Brasil e do Banco, para os Jovens Rurais que apresentarem demanda de investimentos.
Estes recursos são risco do Tesouro o que em tese facilita e desburocratiza a liberação pelo agente financeiro. Deveremos ter uma chamada pública de ATER especifica para o PRONAF Jovem.
Para a agroindústria familiar duas novidades: aumento do limite de R$ 20 mil para R$ 50 mil e financiamento para agroindústria com CNPJ. Os investimentos grupais e ou cooperativos acumulam os limites individuais até R$ 10 milhões com juros de 2% ao ano e limite de R$ 30.000,00 por associado. O prazo para pagamento foi ampliado de 8 para 10 anos. E também haverá Chamada Pública de ATER para empreendimentos agroindustriais.
O Plano Safra da Agricultura Familiar 2011/2012 oferece condições para a agricultura sustentável, presente nas linhas verdes do Pronaf (Eco, Agroecologia, Floresta e Semiárido). O novo Plano Safra estimula os agricultores familiares a promover a transição da agricultura convencional para a agroecológica e a investir em atividades que proporcionam a expansão da oferta de alimentos mais saudáveis a todos os brasileiros. Vejam as novidades no PRONAF ECO, Agroecologia e Florestal.
O PRONAF ECO aumenta o limite de financiamento de R$ 6,5 mil para até R$ 8 mil por hectare, limitado a R$ 80 mil por beneficiário em uma ou mais operações. Aumento de R$ 500,00 para até R$ 600,00 por hectare da parcela de pagamento da mão de obra entre o segundo e o quarto ano de implantação do projeto. Aumento do prazo de pagamento de oito anos para até dez anos, com até três anos de carência. Aumento de R$ 40,00 para até R$ 50,00 da parcela de assistência técnica por hectare/ano durante os quatro primeiros anos de implantação do projeto. Esta linha de crédito além de prever recursos de ATER oferece uma variedade grande de ações para a sustentabilidade da propriedade familiar, com ações que vão da recuperação do passivo ambiental, pequena obras hídricas e de saneamento até investimentos em energia alternativa.
O PRONAF Agroecologia aumentou o limite de financiamento de R$ 50 mil para até R$ 130 mil. Também aumentou o prazo de pagamento de oito anos para até dez anos, com até três anos de carência. Como a Agroecologia é reforçada com uma das ações prioritárias do PRONAF neste Plano Safra, abre-se a possibilidade de se discutir uma proposta especifica de ATER para a Agroecologia, planilhas de VBC (Valores Básicos de Custeio) apropriadas ao custeio agrícola e pecuário para a Agroecologia, com cobertura do Seguro para estas atividades.
O PRONAF Floresta com o limite de financiamento de até R$ 20 mil, para sistemas agroflorestais, passa a vigorar em todas as regiões do País (atendia apenas as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste).
O PRONAF Semiárido também teve o limite ampliado de R$ 10 para R$12 mil.
Para o Grupo B, ampliação do limite de crédito de R$ 2 mil para até R$ 2,5 mil por operação. O beneficiário pode acessar até três operações, totalizando R$ 7,5 mil, com bônus de adimplência de 25%. Com ATER, os agricultores familiares enquadrados no Grupo B poderão acessar o custeio até o limite de R$8 mil, desde que comprovem vinculo ao PNAE e ou PAA. Estes agricultores familiares do grupo B nesta situação também podem demandar investimentos no PRONAF Jovem e ou Florestas.
No PRONAF Cota – Partes, há aumento do limite de crédito individual de R$ 5 mil para até R$ 10 mil por beneficiário. Passam a ser atendidas cooperativas com patrimônio líquido mínimo entre R$ 25 mil e R$ 100 milhões (antes era entre R$ 50 mil e R$ 75 milhões). Também há aumento do limite de crédito por cooperativa de R$ 5 milhões para até R$ 10 milhões. Deverá ser anunciada Chamada Publica de ATER para o atendimento gerencial a processos de organização, agregação de valor e comercialização dos produtos da agricultura familiar.
A grande novidade do Plano Safra deste ano,será a criação da PGPM da Agricultura Familiar. Esse Projeto Lei deve autorizar suplementação orçamentária de R$ 300 milhões para a SAF executar política de apoio aos preços de garantia da agricultura familiar. Em conjunto com a CONAB, a SAF e um Conselho Gestor devem normalizar através de decreto, a política da PGPM que deve atuar com instrumentos como Prêmios de Escoamento da Produção, Aquisição do Governo Federal e Contratos de Opção.
Além destes instrumentos de apoio a comercialização, a SAF deve incrementar o PAA Capital de Giro, e o custeio para comercialização das entidades jurídicas e das agroindústrias familiares.
O limite para o PNAE deve passar de R$ 9 mil para R$ 15 mil. Em relação ao PAA continua o limite por agricultor familiar de R$ 4,5 mil para compra com doação e de R$ 8 mil para Formação de Estoques ou Compra Direta. O orçamento para o PAA foi ampliado em R$ 190 milhões, passando neste Plano Safra para R$ 890 milhões de reais. Uma das metas do Brasil Sem Miséria, para a zona rural é aumentar o atendimento pelo Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) em quatro vezes o número de agricultores familiares, em situação de extrema pobreza. Atualmente, 156 mil agricultores vendem sua produção para o programa e a meta é ampliar para 445 mil até o final do atual governo. Destes, a participação de agricultores situados na extrema pobreza passará dos atuais 66 mil para 255 mil até 2014.
O Seguro da Agricultura Familiar (SEAF) passa a cobrir até R$ 4 mil da renda, mais 100% do valor financiado pelo Pronaf Custeio. Já para as operações de investimento, a adesão é facultativa.
O Seguro Garantia-Safra, que cobre perdas de safras de milho, arroz, feijão, mandioca e algodão, causadas por estiagem ou enchentes no Semiárido (região Nordeste, Norte de Minas, Vale do Jequitinhonha e municípios do Espírito Santo, é pago ao agricultor familiar quando há perda da safra igual ou superior a 50% da produção no município em que vive. O número de cotas disponíveis para adesão, passa de 740 mil para 940 mil e o valor de cobertura aumenta para R$ 680,00, pagos em cinco parcelas.
O Plano Safra da Agricultura Familiar 2011/2012 também amplia o Programa de Garantia de Preços da Agricultura Familiar (PGPAF), instrumento que garante ao produtor a cobertura dos custos de produção no momento de pagar o financiamento do Pronaf. Nesta safra, o limite do desconto de garantia de preços do PGPAF aumenta de R$ 5 mil para R$ 7 mil nas operações de custeio e investimento (por agricultor/ano). A partir desta safra, o PGPAF passa a contemplar mais duas culturas: laranja e tangerina.
Deverá ser criado um rebate de até R$ 10 mil nas rendas não agrícolas para DAP de famílias pluriativas o que deve incluir um novo conjunto de agricultores familiares no PRONAF, principalmente aqueles com renda entre 1 e 2 SM .
Atualmente o PRONAF coloca como critério para o grupo B, renda familiar até R$ 6.000,00 e renda da exploração agropecuária de no mínimo 30%. Para os demais produtores com renda familiar acima de R$ 6 mil e até R$ 110, com os respectivos rebates na renda agrícola, a participação da renda da exploração agropecuária na renda familiar deve ser de no mínimo 70%.
A Lei da Agricultura Familiar não estabelece limite de renda para os estabelecimentos familiares, colocando como critério que a renda do estabelecimento seja predominantemente na renda familiar (maior que 50%).

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Formação de Agentes de ATER de Alagoas no trabalho com Povos Indígenas


O Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA), através da Rede Temática de ATER junto aos Povos Indígenas, vem participando desde o início do ano de 2011, do processo de formação dos novos Agentes de ATER do estado de Alagoas, promovido pela Secretaria de Agricultura do Estado de Alagoas - SEAGRI. O articulador da Rede no estado de Pernambuco, extensionista Iran Neves Ordonio, participou do processo de formação inicial de técnicos em fevereiro deste ano e novamente foi convidado a participar do processo de formação da nova turma com 63 agentes bolsistas, que aconteceu entre os dias 25 julho e 12 de agosto no Centro de Treinamento do IPA, em Carpina – PE.
Esse período de formação prevê uma sensibilização e nivelamento básico sobre os temas da agricultura familiar para esses novos técnicos da SEAGRI-AL, estando a ATER Indígena entre os temas trabalhados. Ressaltamos que apenas uma pequena parte desses novos técnicos irão atuar diretamente em comunidades indígenas, mas o tema é trabalhado com todos inclusive pensando na construção de uma cultura institucional da ATER Pública para o compromisso do serviço de ATER diferenciada e adequada junto aos Povos Indígenas.








Nos dias 02 e 03 de agosto, o extensionista Iran ministrou aulas referentes ao módulo “Etnodesenvolvimeno e Ater Indígena”, em conjunto com a articuladora da nacional da Rede, Sílvia Ferrari e com a consultora do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Rafaella Carvalho.
Na oportunidade, as atividades que vêm sendo desenvolvidas na Terra Indígena Xukuru do Ororubá, município de Pesqueira, em parceria com a Associação Indígena Xukuru e Equipe Técnica Jupago, foram apresentadas como experiências piloto e de certa forma pioneiras no estado, pois buscam através dos serviços de ATER promover processos e estratégias para implantar políticas públicas que venham a contribuir com o projeto de vida do Povo Xukuru.
Os serviços de ATER indígena devem envolver ações de participação e cooperação junto as formas organizativas internas de cada Povo Indígena, na perspectiva de consolidar os elementos que orientem esse projeto de vida, sendo baseado pelo conhecimento ancestral e respeito a natureza sagrada, além de garantir a terra livre e seu uso coletivo. As atividades buscam identificar e potencializar práticas, sistemas e cultivos tradicionais para fortalecer a agricultura do Povo Xukuru, além de viabilizar modelos alternativos de produção e comercialização adequando-os a lógica indígena. Como exemplo podemos citar o Programa de Aquisição de Alimentos – PAA, nas modalidades Leite e Compra Direta para Doação que possibilita a comercialização de produtos diversificados das unidades familiares indígenas, ampliando a rede de solidariedade e fortalecendo relações sociais dentro de princípios de partilha e reciprocidade.
Ainda, durante a realização do curso, foram realizadas discussões com os participantes sobre a temática indígena, com apresentação teórica de conceitos como cultura, alteridade, etnocentrismo, etnodesenvolvimento, relações interétnicas e diversidade cultural e regional dos povos indígenas, bem como apresentação sobre a visão do MDA em relação a ATER em Áreas Indígenas e alguns pontos da legislação indigenista. Foram trabalhadas leituras de textos e divisão dos participantes em grupos que estimularam o debate e a reflexão sobre a realidade indígena no Brasil e no Nordeste, e as possíveis maneiras de se prestar um serviço de ATER às comunidades indígenas de forma diferenciada, respeitando suas culturas, tradições e especificidades.


terça-feira, 2 de agosto de 2011

Cultura indígena na Ibiapaba


Publicado pelo blog: Funai - CR Fortaleza


Edmilson Holanda (FUNAI), Pajé Sebastião, Rogério Soares, Cacique Sotero,
Cacique Joãob Venâncio, Pajé Luís Cabôco, Weibe Tapeba, ... e Lu Lima


Integrando o V FUI-Festival União da Ibiapaba — realizado entre 23 e 29 de julho pela Federação das Artes do Ceará no distrito de Tucuns em Tianguá/CE —, foi promovido um encontro destacando os Direitos Humanos que trouxe à pauta o tema Difusão da Cultura Indígena.


Pajé Sebastião


Palestraram os líderes Cacique João Venâncio (Tremembé de Almofala), Cacique Sotero (Canindé de Aratuba), Pajé Luís Cabôco (Tremembé), Pajé Sebastião (Tapuia-Cariri), provocando debate mediado pelo assessor técnico da Coordenação Regional da FUNAI de Fortaleza, Weibe Tapeba, e por Rogério Soares, executivo da ONG promotora do V FUI.




Segundo a Federação das Artes, os representantes da comunidade de Tucuns ressaltaram interesse em aprofundar o conhecimento sobre as origens indígenas que predominam naquela localidade da Serra da Ibiapaba. Durante o encontro foi ainda entregue o Troféu FUI 2011, que homenageou a dupla Los Índios Tabajaras e os Mestres de Cultura João Venâncio e Luís Cabôco. 
 

A palestra Difusão da Cultura Indigena – Situação Atual no Ceará teve como meta revitalizar e reconhecer o patrimônio artístico-cultural e a tradição dos povos indígenas do Estado e, mais especificamente, da região da Ibiapaba.

Rogério Soares e o Troféu FUI 2011 / Índios Tabajara
Assim, as lideranças indígenas apresentaram uma seleção de suas atividades produtivas, lutas, conquistas e imaginário coletivo, expressa na sua criatividade original, difundindo parte dos resultados da efetividade de parcerias celebradas com organizações privadas e públicas.
O evento foi desenvolvido com o apoio de empresas, Governo do Estado, prefeituras, CITA-Conselho Indígena Tremembé de Almofala e contou com a anuência da FUNAI–Fundação Nacional do Índio.


(texto: Marco Krichanã, com edição de conteúdo publicado em http://fui-festivaluniaodaibiapaba.blogspot.com)(fotos: FEARTE)

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Carteira Indígena realiza capacitação com os Tremembé de Queimadas e Telhas


Entre os dias 16 e 19 de julho, representantes da Carteira Indígena/MMA e do Comitê Gestor do programa estiveram nas aldeias Tremembé de Queimadas e Telhas, no município de Acaraú, para realizar a capacitação com as lideranças locais sobre a gestão e prestação de contas dos projetos aprovados pelas referidas aldeias no primeiro edital da Carteira Indígena direcionado para mulheres indígenas.
O técnico Luiz Gustavo, do MMA, e Ceiça Pitaguary, representante da APOINME e membro do Comitê Gestor da CI, realizaram as capacitações em Queimadas nos dias 16 e 17 e em Telhas, 18 e 19 do mês corrente.
O objetivo da capacitação é preparar as mulheres e lideranças locais para executarem o projeto em todas as suas etapas, inclusive na gestão dos recursos e na prestação de contas. Para isso, os indígenas contarão com o Manual de Prestação de Contas elaborado pela CI com o intuito de orientar todos os passos da comunidade executora do projeto.
Gustavo falando sobre a Carteira Indígena em Queimadas
Indígenas de Queimadas atentos às explicações
Uma das questões mais enfatizadas pela equipe foi o fato de que dos 165 projetos recebidos pela Carteira durante o período de inscrição, apenas 20 conseguiram ser aprovados e no Ceará somente os 02 projetos Tremembé foram contempladas no certame. Diante dos dados, Gustavo e Ceiça parabenizaram as comunidades pela conquista.
Momento de realização do Marco Zero
Em ambos os projetos, as mulheres serão contempladas com Cozinhas Comunitárias, construídas em parceira com a FUNAI e a prefeitura de Acaraú. O objetivo do fortalecimento das cozinhas é o beneficiamento e a produção de alimentos para o Programa de Aquisição de Alimentos – PAA e o Programa Nacional da Alimentação Escolar – PNAE.
A preocupação com a sustentabilidade econômica e ambiental foi um critério importante para a aprovação dos projetos. Em Queimadas, os indígenas estão investindo na produção de alimentos de base agroecológica e uma das metas do projeto é o plantio de 10 mil mudas de espécies frutíferas, aromáticas, madeireiras e medicinais, que além de produzir alimento para ser beneficiado nas cozinhas, também serão responsáveis pela recomposição da mata nativa, recuperando a biodiversidade parcialmente destruída durante o conflito com o DNOCS.
Já em Telhas, o fortalecimento do artesanato foi um dos principais anseios das mulheres indígenas que terão com o projeto, além das capacitações, todos os equipamentos necessários para montar um espaço coletivo de produção de artesanato.
Capacitação em Telhas
Ceiça esclarecendo algumas questões do projeto em Telhas
O fortalecimento político e institucional das duas aldeias também recebeu atenção dos técnicos na hora da elaboração do projeto. Os Conselhos Indígenas serão mobiliados (com computador, impressora, mesa, cadeira, armário, etc.), de modo que as lideranças terão um espaço mais equipado para reunião e discussão das questões internas, bem como para elaborarem seus próprios documentos.
Os dois projetos também dispõem de recursos para realizar visitas de intercâmbio para trocas de experiências, viagens para apresentação e comercialização dos produtos, participação em feiras e eventos indígenas, como a Assembléia dos Povos Indígenas do Ceará, que esse ano será realizado no município de São Benedito.
Além das ações citadas acima, as duas comunidades contarão com assistência técnica para auxiliá-los em todas as etapas dos projetos.
Os trabalhos da equipe da Carteira Indígena foram finalizados em Telhas com a apresentação do Torém em comemoração pela aprovação dos projetos e com um almoço servido pelas mulheres.
Presidente do Conselho Indígena André Sales e o comitê gestor de mulheres no momento da assinatura do Acordo de Subvenção


segunda-feira, 11 de julho de 2011

Quintais Produtivos: os primeiros resultados na aldeia Queimadas

Antes de falar sobre o tema desta postagem, gostaria de contar uma historinha, só a título de contextualização...
Pouco tempo antes de ser convidado para trabalhar com os índios Tremembé de Queimadas e Telhas conheci uma propriedade cujo agricultor trabalhava seguindo os princípios da Agroecologia. Enquanto caminhávamos pelo sítio, ele contava que antes de aprender a manejar a terra a partir dos princípios da agricultura ecológica, havia realizado grande estrago nos recursos naturais disponíveis na terra. Somente ao chegar a esta constatação, é que ele passou a ter um outro olhar sobre a terra, o meio ambiente, o trabalho... sobre sua vida!
Até então eu não me ligava muito nestas questões, mas quando cheguei em Queimadas, no fim de julho de 2009, tinha certeza de que seria através desse caminho alternativo de desenvolvimento local, cujas questões produtivas estão intimamente ligadas as preocupações ambientais e culturais, que as aldeias Tremembé conseguiriam superar as dificuldades existentes ali.
O primeiro desafio a enfrentar era produzir alimentos para suprir as necessidades das famílias para depois pensar em mecanismos de geração de renda. Nesta época, nas Queimadas, não havia ainda a prática de plantar outras culturas além da tríade: feijão, milho e roça. Já existiam abundantes cajueiros, mas só isso. Era a partir desses quatro itens que as famílias retiravam uma parte de seu sustento. A outra vinha dos programas assistenciais como Bolsa Família e de cestas básicas enviadas pela FUNAI e eventualmente doadas pela prefeitura.
A maioria dos homens trabalhava nos lotes do Perímetro Irrigado; ganhavam pouco e ainda estavam submetidos aos riscos de agrotóxicos e fertilizantes químicos. Tinham terra, mas trabalhavam na terra alheia; enriquecendo outros e empobrecendo a própria saúde!
Foi aí então que com a ajuda do Tiago, que através da filha do prefeito, consegui trazer para trabalhar conosco e iniciamos um projeto pequeno, modesto, sem recursos, onde propomos às famílias a criação de quintais produtivos.
Os Quintais Produtivos são sistemas que integram vários subsistemas, como jardim, hortas, plantas medicinais e a criação de pequenos animais, complementados com a compostagem e adubação orgânica. Para iniciar um quintal produtivo deve ser feita inicialmente uma leitura do espaço e de suas possibilidades de uso, com identificação das plantas úteis já presentes, das ervas nativas e dos animais que podem ser criados, do solo e da água disponíveis.
As possibilidades de combinar as várias espécies são infinitas e dependem do gosto e das necessidades de cada família, como plantas para enriquecer o sabor e o valor nutritivo dos alimentos, raízes, tubérculos, fruteiras, ervas medicinais, plantas ornamentais ou com outras utilidades. O resultado de um quintal diversificado é o aumento da produção de oxigênio, da absorção de carbono e também a conservação e perpetuação das plantas nativas. No seu conjunto, as plantas filtram a poluição, absorvem ruídos, diminuem a intensidade dos ventos, alimentam e abrigam os animais e regularizam a temperatura e a umidade. Adicionalmente o quintal produtivo gera uma sensação de bem-estar para a família ao tornar-se um local de convivência.[1]
O quintal produtivo era o primeiro passo para uma transição agroecológica!
Organizamos um curso de Agroecologia, levamos as famílias das duas aldeias para conhecer experiências que deram certo, organizamos aulas de campo e produzimos mudas. Agora era a hora de ver quem realmente se interessaria. Inicialmente um grupo de 08 famílias se interessaram pela proposta dos quintais.
E os resultados começaram a aparecer. De um local onde praticamente não se produzia nada além dos alimentos que citei acima, os indígenas passaram a produzir hortaliças que, além de suprir uma carência nutricional das famílias, passou a ser comercializada e garantir renda com algo produzido na própria aldeia. Segue abaixo algumas fotos que ilustram esses resultados.

Alface: Luciano e Evaldo fazendo a coleta para comercialização

Batata doce: plantio em meio às bananeiras e cajueiros
Berinjela
Cebolinha
Coentro
None
Pimenta de Cheiro
Pimentão (frente) e Tomate (atrás)
Urucum

           Além dos cultivos acima, os índios de Queimadas ainda produzem Couve Manteiga e iniciou um plantio experimental de Cenoura, Beterraba. Os indígenas agroecologistas também plantam e cultivam ervas aromáticas e medicinais como manjericão, anador e meracilina. 

             Mas a apropriação dos conceitos e práticas agroecológicas fez com que os índios fossem mais adiante, dando mais um passo na transição para uma agricultura ecológica. A necessidade de reflorestar e recompor a mata nativa, destruída durante o conflito com o DNOCS, e as possibilidades advindas de um manejo sustentável através do consórcio de espécies frutíferas, medicinais e lenhosas foram fatores que estimularam as famílias a dar mais um passo: a implantação de Sistemas Agroflorestais. Mas isso fica para o próximo post. 



[1] Cartilha Agroecologia colocada em prática. Fortaleza: Fundação Conrad Adenauer, 2006. disponível no Portal Agroecologia.