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quarta-feira, 13 de junho de 2012
terça-feira, 5 de junho de 2012
Os Índios no Século XXI
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| Foto: Jonhas Cunha / Carta Capital |
José Ribamar Bessa Freire
27/05/2012 - Diário do Amazonas
"Índio quer tecnologia" - berra O Globo, em chamada
de primeira página (25/05). Lá está a foto de um guerreiro Kamayurá, que usa um
iPhone para fotografar o terreno da Colônia Juliano Moreira, em Jacarepaguá, no
Rio de Janeiro, onde será construída a aldeia Kari-Oca que vai sediar eventos
paralelos da Conferência Rio + 20. Ele viajou de barco e de ônibus, durante
três dias, com mais vinte índios do Alto Xingu, de quatro nações diferentes.
Chegaram na última quinta-feira, para construir a aldeia Kari-Oca.
Na aldeia que eles vão construir formada por cinco ocas - uma
delas será uma oca eletrônica hight tech - mais de 400 índios que vivem no
Brasil, discutirão com índios dos Estados Unidos, Bolívia, Peru, Canadá,
Nicarágua e representantes de outros países temas como código florestal,
demarcação de terras, reservas minerais, crédito de carbono, clima, usinas
hidrelétricas, saberes tradicionais, direitos culturais e linguísticos. No
final, produzirão um documento que será entregue à ONU no dia 17 de junho.
Embora a notícia contenha informações jornalísticas, O Globo
insiste em folclorizar a figura do índio. Em pleno século XXI, o jornal
estranha que índios usem iPhone, como se isso fosse algo inusitado. Desta
forma, congela as culturas indígenas e reforça o preconceito que enfiaram na
cabeça da maioria dos brasileiros de que essas culturas não podem mudar e se
mudam deixam de ser "autênticas".
A imagem do índio "autêntico" reforçada pela escola
e pela mídia é a do índio nu ou de tanga, no meio da floresta, de arco e
flecha, tal como foi visto por Pedro Alvares Cabral e descrito por Pero Vaz de
Caminha, em 1.500. Essa imagem ficou congelada por mais de cinco séculos.
Qualquer mudança nela provoca estranhamento.
Quando o índio não se enquadra nesta representação que dele
se faz, surge logo reação como a esboçada pela pecuarista Katia Abreu, senadora
pelo Tocantins (PSD, ex-DEM): "Não são mais índios". Ela, que batizou
seus três filhos com os nomes de Irajá, Iratã e Iana, acha que o "índio de
verdade" é o "índio de papel", da carta do Caminha, que viveu no
passado, e não o "índio de carne e osso" que convive conosco, que
está hoje no meio de nós.
Na realidade, trata-se de uma manobra interesseira.
Destitui-se o índio de sua identidade com o objetivo de liberar as terras
indígenas para o agronegócio. Já que a Constituição de 1988 garante aos índios
o usufruto de suas terras - que são consideradas juridicamente propriedades da
União - a forma de se apoderar delas é justamente negando-se a identidade
indígena aos que hoje as ocupam. Se são ex-índios, então não têm direito à
terra.
Criou-se, através dessa manobra, uma nova categoria até então
desconhecida pela etnologia: a dos "ex-índios". Uma categoria tão
absurda como se os índios tivessem congelado a imagem do português do século
XVI, e considerassem o escritor José Saramago ou o jogador Cristiano Ronaldo
como "ex-portugueses", porque eles não se vestem da mesma forma que
Cabral, não falam e nem escrevem como Caminha.
O cotidiano de qualquer cidadão no planeta está marcado por
elementos tecnológicos emprestados de outras culturas. A calça jeans ou o
paletó e gravata que vestimos não foram inventados por brasileiro. A mesa e a
cadeira na qual sentamos são móveis projetados na Mesopotâmia, no século VII a.
C., daí passaram pelo Mediterrâneo onde sofreram modificações antes de chegarem
a Portugal, que os trouxe para o Brasil.
A máquina fotográfica, a impressora, o computador, o
telefone, a televisão, a energia elétrica, a água encanada, a construção de
prédios com cimento e tijolo, toda a parafernália que faz parte do cotidiano de
um jornal brasileiro como O Globo - nada disso tem suas raízes em solo
brasileiro. No entanto, a identidade brasileira não é negada por causa disso.
Assim, não se concede às culturas indígenas aquilo que se reivindica para si
próprio: o direito de transitar por outras culturas e trocar com elas.
Foi o escritor mexicano Octávio Paz que escreveu com muita
propriedade que "as civilizações não são fortalezas, mas encruzilhadas".
Ninguém vive isolado, fechado entre muros. Historicamente, os povos em contato
se influenciam mutuamente no campo da arte, da técnica, da ciência, da língua.
Tudo aquilo que alguém produz de belo e de inteligente em uma cultura merece
ser usufruído em qualquer parte do planeta.
Setores da mídia ainda acham que "índio quer
apito". Daí o assombro do Globo, com o uso do iPhone pelos Kamayurá,
equivalente ao dos americanos e japoneses se anunciassem como algo inusitado o
uso que fazemos do computador ou da televisão: "Brasileiro quer
tecnologia".
O jornal carioca, de circulação nacional, perdeu uma
oportunidade singular de entrevistar integrantes do grupo do Alto Xingu, como
Araku Aweti, 52 anos, ou Paulo Alrria Kamayurá, 42 anos, sobre as técnicas de construção
das ocas. Eles são verdadeiros arquitetos e poderiam demonstrar que "índio
tem tecnologia". O antropólogo Darell Posey, que trabalhou com os Kayapó,
escreveu:
“Se o conhecimento do índio for levado a sério pela ciência
moderna e incorporado aos programas de pesquisa e desenvolvimento, os índios
serão valorizados pelo que são: povos engenhosos, inteligentes e práticos, que
sobreviveram com sucesso por milhares de anos na Amazônia. Essa posição cria
uma “ponte ideológica” entre culturas, que poderia permitir a participação dos
povos indígenas, com o respeito e a estima que merecem, na construção de um
Brasil moderno”.
Esses são os índios do século XXI. A mídia olha para eles,
mas parece que não os vê.
Fonte: Taquiprati
sábado, 28 de abril de 2012
O "dia do índio" é uma farsa com boa intenção: entrevista com Daniel Munduruku
Autor de mais de 40 livros infantojuvenis adotados em escolas
de todo o país, Daniel Munduruku fala nesta entrevista sobre preconceitos à
cultura indígena e sobre a educação para a diversidade.
Há anos vivendo entre cidades e aldeias, Daniel Munduruku
ajuda índios e não índios a se conhecerem melhor. Esta definição, publicada na
contracapa de O segredo da chuva (Editora Ática, 2003), dá o tom da produção
literária do autor. Formado em Filosofia, História e Psicologia, além de doutor
em Educação pela USP, ao longo de sua trajetória Munduruku tem conjugado
tradição e contemporaneidade, sempre defendendo “a educação que dê sentido ao
nosso estar no mundo”.
Batizado com sobrenome de branco, Monteiro Costa, Daniel
nasceu em 1964 em Belém (PA). Cresceu vivenciando o preconceito que os indígenas
sofrem na sociedade brasileira: se quando criança a figura do nativo selvagem
assombrava a visão dos índios apresentada por seus professores, quando adulto
percebeu-se encarado como “índio que deu certo” – percepção que é uma afronta,
como ele gosta de salientar, por reforçar estigmas e “destacar quem se
sobressai numa certa atividade e desmerecer, e muito, todos aqueles que também
lutam, se esforçam e contribuem para o desenvolvimento da sociedade”. A seguir,
o nosso bate-papo com Munduruku:
Como avalia a visão do
indígena apresentada nas escolas brasileiras? Ainda há muitos estereótipos?
Todos os estereótipos são repetidos à exaustão. A escola está
parada no tempo, muito embora sua função seja trazer novos elementos para que
os jovens, sempre ávidos por renovação, possam pensar meios de fugir aos
pré-conceitos que carregam consigo. O caminho ainda é longo, enquanto os
indígenas continuam sendo pouco compreendidos e aceitos.
As datas comemorativas
são uma forma de retomar grupos ou fatos históricos e de forçar a reflexão
sobre eles. O que pensa a respeito do Dia do Índio?
O Dia do Índio é uma farsa criada com boa intenção. É preciso
repensar o conceito do “índio”, de acordo com o novo momento que estamos
vivendo. Há um entendimento ultrapassado, que precisa ser atualizado, sobretudo
para o bem do povo brasileiro.
Em suas viagens Brasil
afora, como observa a educação para a diversidade?
Minha experiência tem me mostrado disparidades entre
educadores, de Norte a Sul do Brasil. Tem me mostrado como a formação deles é
falha quando tenta oferecer uma educação para a cidadania. Vejo que as crianças
e os jovens estão ansiosos por conhecimento que lhes mostrem um caminho novo,
diferente, ousado, mas infelizmente não o encontram nas escolas ou nos
professores, por vários motivos – o principal deles é o fato de os educadores
não se sentirem motivados para exercerem a profissão, dado o descaso com que
são tratados pelo poder público.
Como a literatura
indígena, da qual você é um dos principais representantes, tem combatido estas
falhas de formação?
O grande mérito da literatura indígena está no fato de trazer
novas leituras da sociedade brasileira. Ao dizer que os povos indígenas são defensores
naturais da natureza, ela se contrapõe à ideia de desenvolvimento trazido
puramente pela lógica do agronegócio, por exemplo, ou pela construção de
grandes empreendimentos como hidrelétricas. A literatura indígena questiona
conceitos como esses, dados ou impostos.
segunda-feira, 16 de abril de 2012
Leonardo Boff: "é preciso aliar a justiça social com a ecológica"
Entrevista publicado no site ecodesenvolvimento.org.br

Leonardo Boff sugere uma mudança de comportamento da sociedade global a fim de que a vida na Terra fique ainda mais comprometida/Foto: Divulgação
Em entrevista exclusiva ao EcoD, o teólogo, escritor e professor Leonardo Boff afirmou que a sustentabilidade real supõe um outro paradigma de relação para com a natureza. "A prosseguir esta voracidade, vamos ao encontro de um colapso", alertou o pensador, que é um dos redatores da Carta da Terra.
Sobre a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), Boff destacou que "não espera nada" dos chefes de Estado. Na opinião dele, as discussões mais importantes serão promovidas na Cúpula dos Povos, evento paralelo à conferência marcada para junho, no Rio de Janeiro.
Recentemente, Leonardo Boff lançou o livro Sustentabilidade: o que é o que não é (Editora Vozes), no qual expõe o que pensa sobre o tema, além de analisar as visões deturpadas de governos, empresas e demais organizações que tornaram o desenvolvimento sustentável como mais um objeto do senso comum, de acordo com seus interesses. O autor também faz um histórico do conceito desde o século 16 até os dias atuais, submetendo a uma rigorosa crítica os vários modelos existentes acerca do assunto.
EcoDesenvolvimento.org: O título do seu mais novo trabalho, Sustentabilidade: o que é e o que não é, sugere que muitas pessoas e organizações deturpam o verdadeiro conceito de desenvolvimento sustentável. De que forma o senhor entende a sustentabilidade?
Leonardo Boff: A sustentabilidade real supõe um outro paradigma de relação para com a natureza. Hoje predomina ainda a relação meramente utilitarista, como se ela apenas existisse para atender às nossas necessidades. Esquecemos que nós somos parte da natureza e que ela não é composta apenas pelos seres humanos. Todos os seres são interdependentes e formam a comunidade de vida. A rede, que desta conectitividade se deriva, é responsável pelo equilíbrio da vida e do planeta.
A sustentabilidade só ocorre quando garantimos esse equilíbrio de forma que nossas demandas e aquelas dos demais seres vivos sejam atendidas, os bens e serviços naturais possam ser mantidos e até enriquecidos e ainda entreguemos às gerações futuras um planeta habitável. Nesse sentido, quase nada do que fazemos em nossa atual sociedade é sustentável, pois implica sempre estresse da natureza e dificulta que ela se regenere.
O senhor concorda que o meio ambiente tem sido comumente tratado como algo secundário e periférico?
Para as empresas e para os grandes projetos, os custos ambientais, a poluição do ar, a contaminação das águas e outros danos à natureza são considerados externalidades - vale dizer, não entram na contabilidade dos negócios. Hoje, o nível de degradação geral do sistema-vida e do sistema-Terra é de tal ordem que pode impossibilitar a reprodução dos negócios e, no limite, pôr em risco a própria existência humana. A maioria das pessoas, especialmente os empresários e gente de governo são analfabetos ecológicos.
Como assim?
Eles vivem na ilusão de que a Terra é uma espécie de baú inesgotável. Porém já tocamos nos limites dela. A Terra precisa de um ano e meio para repor o que tiramos para o nosso consumo de um ano. A prosseguir esta voracidade, vamos ao encontro de um colapso. A Terra é um superorganismo vivo, Gaia, que se autoregula. Ao contrário, começam fenômenos extremos que estamos assistindo pelo mundo afora, grandes estiagens de um lado e severos invernos de outro ou verdadeiros tsunamis de enchentes devastadoras.

Boff não espera nada dos chefes de Estado em relação a Rio+20/Foto: Divulgação
No artigo Sustentabilidade: tentativa de definição, o senhor defende que a sustentabilidade precisa ser ampla e integradora, sob o risco de não passar de pura retórica sem consequências. Onde nós podemos identificar exemplos de que estão tratando a sustentabilidade dessa forma deturpada?
Praticamente grande parte daquilo que vem apresentado como sustentável não o é. Não basta apresentar um produto sustentável apenas na fase final do ciclo de vida. Geralmente o processo de extração, produção, consumo e descarte são insustentáveis. O etanol, por exemplo, é limpo apenas na hora do abastecimento. O processo de produção, que exige pesticidas, transporte que queima energia fóssil, os rejeitos não aproveitados e a contaminação das águas revelam que é altamente poluente. As empresas se entendem sustentáveis porque conseguem se manter no mercado e resistir à concorrência, mas não computam os estragos que fazem na natureza para produzir seus produtos, os salários baixos que pagam aos funcionários (ecologia social) e a forma como tratam os dejetos.
E o quê o senhor sugere?
Mudar a forma de produção, respeitando os ciclos da natureza. Buscar uma economia da não acumulação, mas sim de uma produção suficiente e decente para todos. Esta exigência supõe um outro paradigma de civilização, uma forma diferente de habitar o planeta, não estando em cima dele dominando-o, mas ao pé dele, convivendo. Ou fazemos tal mudança ou então iremos irrefragavelmente ao encontro do pior, de uma situação sem retorno. A questão é de vida ou de morte para a espécie humana.
"A maioria das pessoas, especialmente os empresários e gente de governo são analfabetos ecológicos. Vivem na ilusão de que a Terra é uma espécie de baú inesgotável" - Leonardo Boff.
Estamos a cerca de dois meses da Rio+20. De que forma o senhor vê a realização desta conferência 20 anos após a Rio-92? Existem avanços e regressos que mereçam ser destacados nesse intervalo de duas décadas?

No que diz respeito aos chefes de Estado eu não espero nada. Os países centrais estão em profunda crise econômico-financeira e então protelarão as decisões, como as que já foram anunciadas em Cancún [COP-16] para 2020. Ocorre que a situação global pode se deteriorar de tal forma, especialmente, se ocorrer o temido aquecimento abrupto anunciado por inteiras comunidades científicas, como a norte-americana, segundo a qual a temperatura da Terra, nos próximos decênios, poderá se elevar 4 graus Celsius. Se isso ocorrer, advertem, grande parte da vida como a que conhecemos não vai subsistir e porções imensas da humanidade poderão desaparecer.
O importante será a Cúpula dos Povos e o encontro dos movimentos sociais mundiais que ocorrem paralelamente ao evento oficial, pois aí se farão as verdadeiras discussões e serão apresentadas experiências bem-sucedidas, que mostram que o mundo pode ser diferente. De todos os modos haverá um crescimento notável da consciência de nossa responsabilidade pelo futuro comum, da espécie humana e da natureza.
Há quem defenda que a Rio+20 deva privilegiar o aspecto ambiental, sob pena de perder o foco nas discussões. Outra corrente, defendida pelo próprio governo brasileiro, prega que os fatores econômicos e, sobretudo, sociais, também precisam ser abordados com grande ênfase. Qual é a sua opinião?
Precisamos superar o reducionismo que ocorreu na discussão de assuntos ecológicos. existe também a ecologia social, quer dizer, as formas como as sociedades se relacionam com a natureza e garantem o acesso aos bens e serviços necessários à vida nossa e dos demais seres vivos. Aqui vivemos tempos de barbárie. Pois está ocorrendo uma corrida desenfreada para pôr preço em tudo, especialmente, nos commons, bens comuns como água, sementes, alimentos, ar puro, energia, educação, saúde, fibras e outros, privatizando-os. A vida e o que pertence diretamente à ela não pode virar mercadoria e estar à mercê da especulação. Hoje ocorre uma acumulação de riqueza em poucas mãos como nunca houve antes na história. Praticamente não existem países ricos, mas grandes corporações riquíssimas que detém mais renda que países inteiros. Três grandes multinacionais detém mais ingressos que 46 países onde vivem 600 milhões de pessoas. Essa questão da justiça social combinada com a justiça ecológica tem que ser posta, como o faz inteligentemente Ladislau Dowbor e Ignacy Sachs.
"Enquanto não mudarmos nossa forma de produção, não teremos uma sustentabilidade garantida" - Leonardo Boff.
Como funcionam as ecologias mental e integral?
A ecologia mental é o tipo de visão de mundo, de valores e princípios que regem nossas práticas. Os conteúdos são antropocêntricos, utilitaristas, individualistas, materialistas, muito pouco cooperativos e altamente competitivos. Com esses valores, dificilmente se construirá uma sociedade com rosto humano. Por fim, há uma ecologia integral que percebe a Terra como parte de um vasto universo em evolução e que estamos sustentados pelas energias que ordenam o universo e nossas vidas. Tomar isso em conta faz com que nos sintamos parte de um todo maior. Desenvolvemos o sentimento de reverência e de respeito, fundamentais para uma relação não agressiva para com a natureza. Essa visão mais abrangente está praticamente ausente nas discussões, o que mostra como nos falta a consciência necessária para equacionar os problemas globais da Terra e da humanidade.
O senhor já escreveu que o "mundo vive uma crise de ética" e que precisamos "reinventar um novo modo de estar no mundo". O que sugere para evitarmos as tragédias ambientais e humanitárias?
Ninguém possui uma fórmula salvadora. Ela deverá nascer das experiências positivas dos povos e das muitas tradições culturais da humanidade. O que podemos sempre fazer é começar conosco mesmo. Se não podemos mudar o mundo todo, podemos, no entanto, mudar este pedaço de mundo que sou eu mesmo. O que eu fizer corretamente não fica restrito a mim.
Qual é a sua opinião sobre a postura do governo brasileiro em relação ao desenvolvimento sustentável?
Vejo que o governo brasileiro não toma suficientemente a sério a questão ecológica mundial. Não há consciência de nossa importância. Persegue-se um sonho já envelhecido e refutado pela prática de um crescimento sem limites implicando a devastação de nossas florestas e a contaminação de nossas águas e a destruição de nossa imensa biodiversidade. É lamentável constatar esse fato. A Terra pode continuar sem o Brasil e sem nós. Mas nós não podemos continuar sem a Terra.
quinta-feira, 12 de abril de 2012
Povos indígenas no Ceará contemporâneo
Publicado no blog da CR da FUNAI Ceará.
| Fonte: PALITOT, Estevão Martins (org.). Na Mata do Sabiá: contribuições sobre a presença indígena no Ceará. Fortaleza: Museu do Ceará/Imopec, 2009, p. 35. |
Situação dos povos indígenas no Ceará (aspecto fundiário)
n.º
nomapa |
SITUAÇÃO TERRITORIAL
|
ETNIA
|
MUNICÍPIO
|
PROCEDIMENTO DEMARCATÓRIO
|
01
|
Tremembé de Queimadas
|
Tremembé
|
Acaraú
|
Identificada
|
02
|
Córrego João Pereira
|
Tremembé
|
Itarema e Acaraú
|
Homologada
|
03
|
Tremembé de Almofala
|
Tremembé
|
Itarema
|
Identificada e Delimitada
sub-judice
|
04
|
Tremembé da Barra
do Mundaú |
Tremembé
|
Itapipoca
|
Identificada e Delimitada
|
05
|
Anacé
|
Anacé
|
Caucaia e São Gonçalo do Amarante
|
Em processo de Estudo de Identificação e Delimitação
|
06
|
Tapeba
|
Tapeba
|
Caucaia
|
Em processo de Identificação e Delimitação
|
07
|
Pitaguary
|
Pitaguary
|
Maracanaú e Pacatuba
|
Demarcada
|
08
|
Lagoa da Encantada
|
Jenipapo-Kanindé
|
Aquiraz
|
Identificada e Identificada
|
09
|
Kanindé de Aratuba
|
Kanindé
|
Aratuba
|
Aguardando constituição de GT para a realização da Identificação e Delimitação
|
10
|
Kanindé de Canindé
|
Kanindé
|
Canindé
|
Aguardando constituição de GT para a realização da Identificação e Delimitação
|
11
|
Mundo Novo/Viração (Serra das Matas)
|
Potyguara, Tabajara, Gavião e Tubiba-Tapuia
|
Monsenhor Tabosa e Tamboril
|
Aguardando publicação da Portaria de Identificação e Delimitação
|
12
|
Periferias de Crateús
(Aldeias São José, Vila Vitória, Maratoã, Terra Livre, Nova Terra, Planaltina, Altamira, Pedra Viva, Terra Prometida etc.)
|
Potyguara, Tabajara, Kalabaça, Kariri e Tupinambá
|
Crateús
|
Sem providências
|
13
|
Carnaúba
|
Tapuya-Kariri
|
São Benedito
|
Aguardando constituição de GT para a realização da Identificação e Delimitação
|
14
|
Imburana e Cajueiro
|
Tabajara e Kalabaça
|
Poranga
|
Aguardando constituição de GT para a realização da Identificação e Delimitação
|
15
|
Nazário (Serra das Melancias)
|
Tabajara
|
Crateús
|
Aguardando constituição de GT para a realização da Identificação e Delimitação (área objeto de transferência do INCRA para a FUNAI)
|
16
|
Potyguara de Monte Nebo
|
Potyguara
|
Crateús
|
Aguardando constituição de GT para a realização da Identificação e Delimitação
|
17
|
Potyguara de Novo Oriente
|
Potyguara
|
Novo Oriente
|
Aguardando constituição de GT para a realização da Identificação e Delimitação
|
18
|
Tabajara de Quiterianópolis
|
Tabajara
|
Quiterianó-polis
|
Aguardando constituição de GT para a realização da Identificação e Delimitação
|
19
|
Umari
|
Kariri
|
Crato
|
Aguardando constituição de GT para a realização da Identificação e Delimitação
|
20
|
Olho D’Água
dos Canutos |
Tabajara
|
Monsenhor Tabosa
|
Aguardando constituição de GT para a realização da Identificação e Delimitação
|
(Fonte: Coordenação Regional de Fortaleza – CRF/FUNAI/MJ-2012)
Marco Krichanã
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