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sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Índios Tremembé de Itapipoca prendem servidores da FUNAI na TI. Barra do Mundaú

Servidores da FUNAI são mantidos reféns na TI. Barra do Mundaú. Entre eles, o chefe da CTL de Itarema, Jorge (de boné)
Fonte: facebook

Os índios Tremembé da terra indígena Barra do Mundaú, em Itapipoca, mantém sob seu domínio quatro servidores da FUNAI que se dirigiram ao local para participar de uma reunião com a comunidade indígena local. Entre eles está o chefe da Coordenação Técnica Local da FUNAI em Itarema, Jorge. Em carta divulgada nas redes sociais, os Tremembé justificam que esta atitude de manter os servidores detidos na aldeia foi motivada pela ausência de ações concretas da FUNAI, do MPF e dos órgãos de fiscalização ambiental diante do quadro de graves conflitos intensificados desde o mês de setembro, quando moradores não-índios que vivem no local atearam fogo no acampamento por duas vezes, destruíram casas e desmataram áreas dentro da TI. Há suspeitas de que essas pessoas, contrárias à demarcação da terra indígena, estejam sendo influenciadas por pessoas ligadas ao grupo que tenta construir um resort de luxo em área que incinde sobre a terra indígena. De acordo com Erbênia Rosa, “No dia 10 de setembro, queimaram as barracas e, um mês depois, um grupo de 15 homens armados chegaram à aldeia, derrubaram a cerca e uma casa de alvenaria que tínhamos construído para as reuniões da associação. Eles chegaram com um advogado dizendo que era da empresa espanhola” (fonte: Jornal O Estado, 11/11/2014)). Desde então, os indígenas vem denunciando as agressões aos órgãos federais.

Barraca do acampamento de área retomada pelos índios sendo incendiada (outubro de 2014)
Fonte: facebook
Casa de alvenaria que servia como local de reunião dos indígenas sendo destruída (outubro de 2014)
Fonte: facebook
No último dia 12 de novembro, o MPF conseguiu, junto à Justiça Federal, uma liminar que suspendia a licença do complexo turístico Nova Atlântida Cidade Turística Residencial e de Serviços. De acordo com o documento, "a empresa deve se abster de realizar qualquer ato concreto que ameace ou perturbe a posse de integrantes da Comunidade Indígena Tremembé de Barra do Mundaú, sob pena de aplicação de multa" (veja mais detalhes AQUI).
A decisão da justiça parece não ter intimidado proprietários e não-índios que vivem na área, ao contrário. Nas últimas semanas as principais lideranças indígenas do local receberam ameaças: “Entramos em contato com os Direitos Humanos, que enviou policiamento para nos proteger. Estamos em um momento difícil, escutamos a todo instante que estamos juradas de morte”, afirmou Erbênia ao jornal O Estado.
Em setembro as lideranças locais Adriana Carneiro e Erbene Rosa gravaram um depoimento onde relatam a resistência dos Tremembé da Barra do Mundaú e a luta deste povo para manter seu território (veja o vídeo AQUI).
A comunidade indígena em passeata realizada em novembro de 2014
Fonte: Julivan Veríssimo (facebook)

Cumpre assinalar que o relatório circunstanciado da TI Barra do Mundaú já foi concluído desde 2012 e o processo de demarcação encontra-se paralisado por determinação do Ministério da Justiça.
Não obtendo respostas concretas dos órgãos competentes, os Tremembé tomaram uma atitude extrema e prenderam os servidores da FUNAI que participavam de uma reunião na terra indígena e afirmam que só vão liberá-los quando tiverem uma resposta dos órgãos federais envolvidos do caso.
Veja abaixo o relato das lideranças divulgado nas redes sociais:

"Nós índios da Terra Indígena Tremembé da Barra do Mundaú, Itapipoca-CE, vem sofrendo constantes invasões, desmatamentos e ameaças desde Setembro do corrente ano na aldeia São José, diante disso já recorremos a FUNAI, Ministério Público e IBAMA, mas até o momento nenhuma posição foi tomada, resolvemos tomar uma atitude. Hoje pela manhã chegaram em nossas aldeias quatro representantes da FUNAI e as aldeias já estavam organizadas no acampamento para ouvir o que tinham a nos dizer e após ouvi-los o povo Tremembé de Itapipoca resolveram que esses representantes irão sair da aldeia somente quando tiver uma posição dos Orgão Federais citados acima. Pedimos apoio aos nossos parentes e demais orgão que nos apoiam para nos fortalecer nesse momento".


domingo, 28 de abril de 2013

O Povo: Processo de demarcação de terra no Ceará avança

Ritual resgata tradição indígena tremembé no Ceará. "A cada regularização, comprovamos nossa cultura, nossa história, nossa luta", diz Dourado Tapeba. FOTO: Francisco Fontenele

Terra Indígena Tremembé de Queimadas, em Acaraú, avança na demarcação de sua área com publicação da portaria. Processo segue com demarcação administrativa e homologação presidencial.


O processo de demarcação da Terra Indígena Tremembé de Queimadas, em Acaraú, avançou mais uma etapa com a publicação no Diário Oficial da União da portaria declaratória de posse permanente da área de 767 hectares ao povo Tremembé, na última segunda-feira, 22.


Além da Terra Indígena Tremembé de Queimadas, as terras Guanabara, do povo Kokama, em Benjamin Constant (AM) e Cué Cué/Marabitanas, dos povos Baré, Warekena, Baniwa, Desano, Tukano, Kiripako, Tariana, Pira-Tapuya e Tuyuka, em São Gabriel da Cachoeira (AM) também foram declaradas com a assinatura do ministro da Justiça.


A partir da portaria nº 1.702, datada de 19 de abril deste ano, a Fundação Nacional do Índio (Funai) deve promover a demarcação administrativa da Terra Indígena. Após a demarcação, o processo passa por homologação da Presidenta da República.


Ricardo Weibe Nascimento Costa, coordenador da Regional Nordeste II da Funai, explicou que a terra já havia sido identificada e delimitada e, agora, os limites geográficos são indicados e oficializados. Segundo ele, a partir desse ponto, a Funai realizará a demarcação física, afixando placas nos limites de identificação. Weibe indica que será realizada articulação com a Funai em Brasília para a descentralização de recursos e o andamento desta etapa, ainda sem prazos definidos.


Também é necessária a realização de ação de extrusão, segundo Weibe, em que todos os ocupantes não índios identificados anteriormente pela Funai possam ser retirados e reassentados em outras áreas. A última etapa é o registro da terra indígena como patrimônio da União. A comunidade de Queimadas, no caso, fica com o uso exclusivo da área.


À espera

No Ceará, somente uma terra indígena possui a demarcação finalizada, a Tremembé do Córrego João Pereira, área vizinha a de Queimadas, lembrou Weibe, da Funai. Para Dourado Tapeba, coordenador executivo da Articulação dos Povos Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo (Apoinme), cada demarcação e regularização de terra indígena é uma vitória para o Ceará, o Nordeste e o Brasil.


Ele explica que, no caso de Tremembé de Queimadas, não haverá retrocesso no processo, pois houve diálogo decisivo com o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), antes empecilho para a demarcação. O longo conflito com o Dnocs ocorreu pelo uso de uma área da terra indígena para a construção do Perímetro Irrigado do Baixo Acaraú, caso iniciado ainda na década de 80.


Ele ressalta que a maior parte dos processos demarcatórios estão na esfera judicial, com empresas e grupos querendo provar que não existe índio e, consequentemente, terra indígena no Estado. “A cada regularização, comprovamos nossa cultura, nossa história, nossa luta”, enalteceu Dourado Tapeba.



Como


ENTENDA A NOTÍCIA


O processo de demarcação da terra indígena Tremembé de Queimadas continuará com procedimento da Funai para a sinalização com placas e marcos dos limites da área, assim como diálogo com possíveis ocupantes não índios.



Passo a passo do processo de demarcação de terras indígenas


A demarcação será fundamentada em estudo antropológico de identificação.
Estudos complementares de natureza etno-histórica, sociológica, jurídica, cartográfica, ambiental e levantamento fundiário necessários à delimitação serão realizados por grupo técnico especializado, indicado por órgão federal de assistência ao índio.


Após a conclusão dos trabalhos de identificação e delimitação, o grupo técnico apresentará relatório ao órgão federal de assistência ao índio, caracterizando a terra indígena em processo de demarcação. Com a aprovação do relatório, ele deverá ser publicado, em quinze dias, nos Diários Oficiais da União e do Estado.


Até 90 dias após esta publicação, estados, municípios e demais interessados poderão se manifestar com pedidos de indenização ou demonstrar equívocos no relatório, munidos de toda a documentação necessária.


O órgão federal deverá encaminhar o processo ao ministro de Estado da Justiça com pareceres relativos às razões e provas apresentadas.


Após o recebimento, o ministro poderá decidir pela declaração dos limites da terra indígena e determinar a demarcação; prescrição de diligências que julgue necessárias, que deverão ser cumpridas em 90 dias ou pela desaprovação da identificação, fundamentando sua decisão.


Caso seja verificada a presença de ocupantes não índios na área demarcada, o órgão responsável realizará o reassentamento, de acordo com a legislação.


A demarcação deve ser homologada mediante decreto. Após homologação, o órgão federal de assistência ao índio realizará o registro em cartório imobiliário da comarca correspondente. O Decreto indica que o grupo indígena envolvido deverá participar do procedimento em todas as suas fases.

OBS: de acordo com o Decreto nº 1.775, de 1996.

Fonte: Jornal O Povo 28/04/2013.

quinta-feira, 14 de março de 2013

Discussões e encaminhamentos da XVIII Assembleia Estadual dos Povos Indígenas do Ceará

Imagem: Observatório dos Direitos Indígenas da UFC

Apresentamos abaixo algumas discussões e encaminhamentos deliberados durante a XVIII Assembleia Estadual dos Povos Indígenas do Ceará, realizada na Aldeia de Fidélis do Povo Tabajara, município de Quiterianópolis. O evento foi organizado pela APOINME e COPICE, em parceria com diversas instituições.
Segundo a organização do evento, participaram cerca de 300 representantes indígenas das seguintes etnias:

Etnia – Município(s)

Anacé – Caucaia/Gonçalo do Amarante;
Gavião – Monsenhor Tabosa;
Jenipapo-Kanindé – Aquiraz;
Kalabaça – Crateús /Poranga;
Kanindé – Aratuba/Canindé
Kariri – Crato;
Pitaguary  - Maracanaú/Pacatuba;
Potiguara – Crateús/Novo Oriente/Monsenhor Tabosa/Tamboril;
Tabajara – Crateús/Mosenhor Tabosa/Poranga/Quiterianópolis;
Tapeba – Caucaia;
Tapuia-Kariri – São Benedito;
Tubiba-Tapuia – Monsenhor Tabosa;
Tupinambá – Crateús;
Tremembé – Acaraú/Itapipoca/Itarema.


Abaixo destacamos alguns pontos que constam no relatório final da Assembleia, enviado gentilmente por Lucilene Martins, liderança Tremembé.


Saúde e Saneamento

Referente ao saneamento básico, a equipe técnica do DSEI/CE apresentou a previsão de construção de 246 cisternas em parceria com a Secretaria do Desenvolvimento Agrário SDA/CE. Informam ainda que o objetivo da SESAI é de que até o ano de 2015, deixar os 100% das aldeias indígenas saneadas, com abastecimento de agua e kit´s sanitários. 

Também foi apresentado as previsões de construção de postos de saúde e pólo base. Aproveitando a oportunidade de debate com a plenária, e respondendo há uma pergunta feita por uma liderança indígena sobre os recursos previstos para saneamento básico e esgotamento sanitário junto às comunidades indígenas Tapeba, da ordem de aproximadamente 06 milhões de reais, a equipe técnica da SESAI anuncia que a Prefeitura Municipal de Caucaia, não renovou o referido convênio com a FUNASA, o que resultou no recolhimento desses recursos e que ainda há possibilidade de retorno de tais recursos a depender da articulação política do Município de Caucaia junto a FUNASA, bem como da pressão política por parte do próprio movimento indígena.



Cultura

Dentre as discussões, o secretário de Cultura do Ceará, Francisco Pinheiro, anunciou as ações que a SECULT vem apoiando junto às comunidades indígenas, por parte de projetos financiados pelo edital de Pontos de Cultura. Também anunciou as ações previstas sobre a temática indígena contemplada no Plano de Cultura do Ceará.
Foi ainda informado que a SECULT pretende criar o Memorial dos Povos Indígenas, como forma de contribuir para a visibilidade e difusão das culturas indígenas do estado, sendo que o referido memorial ainda não foi implementado justamente por indefinição por parte dos povos indígenas cearenses.
Dentre as intervenções realizadas pelos debatedores e pela plenária, destacou-se:
A reivindicação de um assento no Conselho Estadual de Políticas Culturais;
A criação do Fórum Estadual de Culturas Indígenas e de editais específicos para apoiar as culturas indígenas no âmbito do Estado do Ceará, bem como da celebração de convênios com as organizações indígenas ou termos de cooperação técnica e financeira, com vistas a apoiar os Museus Indígenas, Casas de Culturas, Centros Culturais ou memoriais.
Dentre as contribuições do Cacique do Povo Kanindé, foi apresentado a experiência do Museu dos Kanindé de Aratuba, constituído como museu comunitário, demanda semelhante vivenciada pelo Povo Tapeba, socializada por meio da Pajé D. Raimunda, falando que a “nossa cultura” somos nós que fazemos mas que é necessário o apoio das instituições para que as culturas indígenas possam se fortalecer.
Como encaminhamentos concretos, destacou-se a eleição da Liderança Indígena Batata Tabajara de Crateús para ocupar a função de membro titular no Conselho Estadual de Políticas Culturais e o seu respectivo suplente, Weibe Tapeba, além da aprovação de uma resolução abordando a necessidade de financiamento por parte da SECULT para as comunidades indígenas e a criação do Fórum Estadual de Culturas Indígenas do Ceará.



MPF e os direitos indígenas

Como principais encaminhamentos dessa mesa temática, destacamos a disposição do Procurador da república, Dr. Patrício Noé em instaurar um Inquérito Civil Público para tratar das questões inerentes a regularização fundiária das terras indígenas na área de atuação da Procuradoria da República em Crateús.

Reivindicação das lideranças indígenas em realizar audiência pública na região para discutir a questão do alto índice de indeferimento dos benefícios previdenciários contra os segurados especiais indígenas, motivados pela discriminação e preconceito pela condição étnica advindos de servidores lotados nas Agências Previdenciárias do INSS nas regiões onde as comunidades indígenas estão localizadas.

Outro encaminhamento relevante foi a aprovação de uma resolução solicitando a constituição de GT´s para identificar e delimitar as terras indígenas demandas na resolução específica, solicitação de publicação dos relatórios das terras indígenas que já foram estudadas e continuidade dos processos administrativos em curso.

Imagem: Observatório dos Direitos Indígenas da UFC


Educação escolar indígena

Destacaram-se a conquista da implementação do direito do terço para os professores referentes aos períodos de planejamento, programa de formação do magistério indígena nível médio, das discussões centrais do Comitê Interinstitucional de Educação Escolar Indígena e das dificuldades referentes a aplicação dos recursos do Programa Nacional de Alimentação Escolar – PNAE, queixa realizada por professores que denunciam que as dificuldades referente a merenda escolar perduram a bastante tempo.

Discutiu-se a necessidade de participação dos professores indígenas nas assembleias estaduais e outras atividades do movimento indígena a nível de estado, sendo encaminhada a aprovação de uma resolução específica para que o movimento indígena local de base possa priorizar a participação dos professores e gestores nessas assembleias e que as Escolas Indígenas possam incluir em seus currículos a abordagem sobre a Assembleia Estadual dos Povos Indígenas do Ceará.

Informações atualizadas sobre a retomada das atividades do Curso de Licenciatura Intercultural: Formação de Professores, de responsabilidade da Universidade Estadual do Ceará – UECE. Segundo informações, as atividades paralisadas por problemas administrativos e de gestão. A UECE está finalizando a elaboração do Plano de Trabalho Anual – PTA, que deverá ser cadastrado no FNDE tão logo o MEC libere a senha para a UECE. A previsão orçamentária para o curso já foi anunciada pelo MEC que deverá dar condições para que o curso possa ser retomado e não sofra mais descontinuidade.


Eleições micro-regionais da APOINME

Processo de eleição da representação da APOINME nas micros-regiões do Semi-Árido e da Micro-Região da Região Metropolitana de Fortaleza e Litoral. Após intensas discussões, a plenária geral da assembleia deliberou consensualmente pela indicação e eleição dos seguintes representantes:
  • MR Semi-Árido:

Titular: Eliane Tabajara(Poranga);
Suplente: Renato Potiguara (Crateús);
  • MR Litoral e Região Metropolitana de Fortaleza

Titular: Digé Tremembé (Itarema);
Suplente: Dourado Tapeba (Caucaia);


Etnodesenvolvimento

A mesa tocou em questões profundas acerca da Gestão Ambiental e Territorial de terras indígenas, tendo como parâmetro a experiência da Terra Indígena Córrego João Pereira, em Itarema, discutindo questões centrais de como lidar com o usufruto exclusivo e o princípio da organização social e autonomia das comunidades sem afetar o território por meio de divergências internas ou de ações de degradação ambiental.

A mesa também discutiu o papel importante do CDPDH na defesa dos direitos indígenas, sendo parabenizado a essa entidade pelo apoio financeiro dado por meio do projeto financiado pel Secretaria do Desenvolvimento Agrário do Ceará – SDA.


Situação da FUNAI – Coordenação Regional Nordeste II

Os integrantes da mesa apresentaram as principais dificuldades das comunidades indígenas e das limitações de atuação da FUNAI nas terras indígenas. Foram elencados os pontos de crítica à atuação da FUNAI:

- Referente ao funcionamento das CTL´s de Itarema e Crateús;
- Falta de apoio às comunidades indígenas afetadas pela estiagem;
- Morosidade na regularização fundiária das terras indígenas;
- Falta de apoio e fomento às atividades produtivas;
- Ausência de assistência aos indígenas em trânsito que vão a Fortaleza para defender interesses das comunidades;
- Limitação de recursos humanos e falta de planejamento na descentralização de recursos orçamentários e financeiros para garantir a execução das ações previstas nas programações anuais previstas pela CR NE II. 
- O indígena Weibe Tapeba, que ora responde pela função de Coordenador Regional Substituto da CR NE II, aproveitou a oportunidade para diante do cenário instalado na FUNAI, anunciar o seu desligamento do órgão indigenista, que deverá acontecer através de carta à presidência da FUNAI, informando seu desligamento.

Como principais encaminhamentos da mesa:

- Previsão, por parte do Povo Pitaguary, do deslocamento de 40 lideranças indígenas para irem a Brasília e tratar das questões de regularização fundiária e sobre a situação da Coordenação Regional Nordeste II.
- Solicitação de vinda de diretores da FUNAI para que possa vir ao Ceará e tratar das condições de funcionamento da CR NE II e suas respectivas CTL´s.
- Solicitação à FUNAI/Brasília para que possa dar condições de funcionamento das CTL´s instaladas no Ceará e solicitação de uma CTL a ser instalada na Região Metropolitana de Fortaleza.
- Ida a Brasília de uma comissão de lideranças indígenas da região das Serras das Matas para tratar do relatório de identificação e delimitação da terra indígena que contemplará os povos Potiguara, Tabajara, Gavião e Tubiba-Tapuya.

Imagem: Observatório dos Direitos Indígenas da UFC


Imagem: Observatório dos Direitos Indígenas da UFC



Fonte: Relatório final da XVIII Assembleia Estadual dos Povos Indígenas do Ceará
Edição: Ronaldo Santiago
Fotos: Observatório dos Direitos Indígenas da UFC

terça-feira, 31 de julho de 2012

Jornal O Povo: Índios Tapeba ocupam Funai e pedem demarcação de terras

31/07/2012


Cerca de 120 índios Tapeba ocuparam, na manhã de ontem, a sede da Fundação Nacional do Índio (Funai) em Fortaleza. Eles afirmam que só deixarão o local após os órgãos oficializarem a demarcação das terras indígenas


São dezenas de colchões, malas e roupas espalhados pelos corredores. Crianças, adultos e idosos passam a ocupar, dia e noite, a coordenação regional da Fundação Nacional do Índio (Funai) em Fortaleza. Cerca de 120 índios da etnia Tapeba acamparam no prédio, na manhã de ontem, para pedir celeridade na demarcação das terras indígenas da tribo, em Caucaia.

“Desde o final da década de 70 que o processo se arrasta”, denuncia o articulador dos povos indígenas no Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo, Dourado Tapeba, 52. Para o cacique Francisco Alves Teixeira, “(a publicação do) relatório de demarcação das terras fará com que os posseiros deixem de nos perturbar”.

O estopim para a mobilização foi a derrubada de 10 casas na aldeia Sobradinho. E uma das casas era a do cacique Teixeira. “Perdemos tudo o que tínhamos. Estou (vivendo) debaixo dos matos, numa lona, até o problema se resolver”, afirma.

Os estudos para a demarcação das terras já foram concluídos e preveem a constituição de uma área de 5.100 hectares (ha). O relatório foi enviado à Funai em Brasília e aguarda a análise do órgão para a publicação no Diário Oficial da União. Só assim a terra indígena será criada legalmente. Os índios garantem que só deixarão o prédio depois que a Funai concluir a demarcação.

Segundo Dourado Tapeba, três mil posseiros ocupam a área indígena hoje. “Nós, índios, só temos em mãos 1.200 ha.” Dourado contabiliza que, pelo menos, outros três relatórios para demarcação das terras foram elaborados, mas a Prefeitura de Caucaia “derrubou” todos na Justiça.

“O último foi anulado pelo ex-prefeito José Gerardo Arruda, nosso inimigo número um”, diz Dourado. Ele afirma que a família Arruda possui terrenos na terra indígena e, por isso, teriam interesses pessoais na disputa.

O ex-prefeito rebate as críticas. “Não sou herdeiro direto das terras, que são do meu bisavô. O que defendemos são as terras do município e os grandes investimentos na área.” Arruda alega que, nos relatórios anteriores, não havia participação de representantes da Prefeitura. “Mas o problema é que o poder público (na época) também era pessoa interessada. Eles (Arruda) são grileiros”, rebate Dourado.

O POVO entrou em contato com a Fundação Nacional do Índio (Funai), em Brasília, no final da tarde de ontem. Até o fechamento da reportagem, nenhum retorno foi dado.

Quando

ENTENDA A NOTÍCIA

Os índios Tapeba reivindicam, desde o final da década de 1970, a demarcação das terras em Caucaia. A primeira proposta previa uma área de 30 mil hectares (ha) que, no último relatório, foi reduzida para 5.100 ha.

Fonte: opovo.com.br

quarta-feira, 18 de julho de 2012

FUNAI: Servidores em greve dizem que Brasil ‘pisa’ nos direitos indígenas


Marta Maria do Amaral Azevedo, única mulher a presidir a Funai, enfrenta sua primeira crise no órgão. Foto: José Cruz/ABr
Em greve desde 21 de junho, os servidores da Fundação Nacional do Índio (Funai) realizaram na segunda-feira 16 um protesto inusitado. Eles enfileiraram as coletâneas da legislação indigenista brasileira na entrada do prédio do órgão em Brasília para que, ao passarem pelo local, as pessoas pisassem ou pulassem os livros, em uma alusão à falta de condições da fundação em cumprir o que está previsto naquelas páginas. “A ideia era demonstrar o enfraquecimento da instituição”, explica Nina Almeida, integrante do comando de greve, aCartaCapital. “O Brasil alcançou marcos legais razoáveis para os indígenas, mas eles não são respeitados. Estamos pisando nos direitos.”
Os trabalhadores da Funai aderiram à greve nacional dos servidores públicos federais por melhores salários, mas mantêm os serviços essenciais aos indígenas. Os servidores paralisados também dizem ter uma pauta específica, que envolve a falta de estrutura da instituição e condições de trabalho degradantes, que em alguns casos coloca em risco a vida do funcionários por conta da atuação de madeireiros em territórios indígenas.
Os problemas estruturais são extensos, mesmo após a reestruturação do órgão em 2009. “Muitas sedes existem apenas no papel. Há prédio sem equipamentos e sequer existe um regimento interno atualmente”, lista Almeida.
Um quadro que, segundo o comando de greve, enfraqueceu o órgão e os direitos indígenas. Por isso, eles pedem um pronunciamento oficial da instituição que também fale sobre os projetos de lei que visam transferir a demarcação de terras indígenas do Executivo – hoje a cargo da Funai – para o Legislativo. “Sabemos que a bancada ruralista tem muito interesse em coibir as demarcações”, diz Almeida. Ela também destaca como perigosos outros projetos de lei, como os que regulamentam a mineração em terras indígenas sem consulta prévia e as obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), “que passam por terras indígenas sem consultar os nativos”.
O grupo tem 14 reivindicações, entre elas a qualificação adequada dos servidores. Segundo Almeida, a Funai contratou por concurso em 2010 funcionários em número insuficiente e para um “cargo genérico”, sem área de atuação especifica. “Há um gargalo no administrativo e técnico. Porque os servidores que entraram não receberam a capacitação necessária, e o trabalho com os povos indígenas tem uma série de especificidades para as quais não fomos treinados.”
A Funai informou via assessoria de imprensa que não iria se pronunciar sobre o protesto e a greve, mas diz manter conversas com os grevistas.

Fonte: Carta Capital 17.07.2012



quinta-feira, 12 de abril de 2012

Povos indígenas no Ceará contemporâneo

Publicado no blog da CR da FUNAI Ceará.

Fonte: PALITOT, Estevão Martins (org.). Na Mata do Sabiá: contribuições sobre
a presença indígena no Ceará. Fortaleza: Museu do Ceará/Imopec, 2009, p. 35.


Situação dos povos indígenas no Ceará (aspecto fundiário)

n.º
no
mapa
SITUAÇÃO TERRITORIAL
ETNIA
MUNICÍPIO
PROCEDIMENTO DEMARCATÓRIO
01
Tremembé de Queimadas
Tremembé
Acaraú
Identificada
02
Córrego João Pereira
Tremembé
Itarema e Acaraú
Homologada
03
Tremembé de Almofala
Tremembé
Itarema
Identificada e Delimitada
sub-judice
04
Tremembé da Barra
do Mundaú
Tremembé
Itapipoca
Identificada e Delimitada
05
Anacé
Anacé
Caucaia e São Gonçalo do Amarante
Em processo de Estudo de Identificação e Delimitação
06
Tapeba
Tapeba
Caucaia
Em processo de Identificação e Delimitação
07
Pitaguary
Pitaguary
Maracanaú e Pacatuba
Demarcada
08
Lagoa da Encantada
Jenipapo-Kanindé
Aquiraz
Identificada e Identificada
09
Kanindé de Aratuba
Kanindé
Aratuba
Aguardando constituição de GT para a realização da Identificação e Delimitação
10
Kanindé de Canindé
Kanindé
Canindé
Aguardando constituição de GT para a realização da Identificação e Delimitação
11
Mundo Novo/Viração (Serra das Matas)
Potyguara, Tabajara, Gavião e Tubiba-Tapuia
Monsenhor Tabosa e Tamboril
Aguardando publicação da Portaria de Identificação e Delimitação
12
Periferias de Crateús
(Aldeias São José, Vila Vitória, Maratoã, Terra Livre, Nova Terra, Planaltina, Altamira, Pedra Viva, Terra Prometida etc.)
Potyguara, Tabajara, Kalabaça, Kariri e Tupinambá
Crateús
Sem providências
13
Carnaúba
Tapuya-Kariri
São Benedito
Aguardando constituição de GT para a realização da Identificação e Delimitação
14
Imburana e Cajueiro
Tabajara e Kalabaça
Poranga
Aguardando constituição de GT para a realização da Identificação e Delimitação
15
Nazário (Serra das Melancias)
Tabajara
Crateús
Aguardando constituição de GT para a realização da Identificação e Delimitação (área objeto de transferência do INCRA para a FUNAI)
16
Potyguara de Monte Nebo
Potyguara
Crateús
Aguardando constituição de GT para a realização da Identificação e Delimitação
17
Potyguara de Novo Oriente
Potyguara
Novo Oriente
Aguardando constituição de GT para a realização da Identificação e Delimitação
18
Tabajara de Quiterianópolis
Tabajara
Quiterianó-polis
Aguardando constituição de GT para a realização da Identificação e Delimitação
19
Umari
Kariri
Crato
Aguardando constituição de GT para a realização da Identificação e Delimitação
20
Olho D’Água
dos Canutos
Tabajara
Monsenhor Tabosa
Aguardando constituição de GT para a realização da Identificação e Delimitação
(Fonte: Coordenação Regional de Fortaleza – CRF/FUNAI/MJ-2012)
Marco Krichanã