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domingo, 14 de setembro de 2014

XI Marcha do Povo Tremembé

Os registros fotográficos abaixo são da XI Marcha do Povo Tremembé, realizada anualmente no dia 07 de setembro. Nesse ano de 2014 as lideranças responsáveis pela organização do evento resolveram homenagear as lideranças tremembé que já partiram para outro plano. É com a força desses encantados que as atuais lideranças levam adiante a luta dos Tremembé pela demarcação de suas terras e pela garantia dos seus direitos. Numa das faixas estava escrito: "Nossos encantados são os marcos vivos da luta do Povo Tremembé".
Um grupo de idosos abria o cortejo com uma grande faixa. Nela estavam as fotos de algumas lideranças homenageadas pela luta.
É digno de nota a bela atitude da organização do evento em contemplar nessa faixa não somente as lideranças de Almofala e Varjota, mas também das comunidades tremembé do Córrego João Pereira e de Queimadas. Veja o nome e a localidade de alguns dos homenageados:
  • Antonio Félix - Queimadas
  • Cecídio Ferreira - Queimadas
  • Chico Mariano - Varjota
  • Dona Pequena - Almofala
  • Dona Doca - Almofala
  • Joaquim Bastião - Varjota
  • José Ferreira do Nascimento (Pajé Zé Tonheza) - Queimadas
  • Manoel Bastião - Varjota
  • Maria Socorro dos Santos - Queimadas
  • Maria Venância - Almofala
  • Raimunda Marques - Almofala
  • Rosa Suzana - São José/Córrego João Pereira
  • Zé Raimundo - Almofala

Algumas pessoas também vestiam uma camiseta com a foto de Manoel Félix do Nascimento, o Grosso, falecido em julho deste ano.
Além da marcha em si, os Tremembé organizam outras atividades durante o dia e a noite, entre elas o desfile da Miss Tremembé, o tradicional leilão e o bingo. A evento também teve a apresentação musical de Babi Fonteles (acompanhado de seus filhos) e Eliane Brasileiro. A noite foi encerrada com um torém no pátio da escola Maria Venância.

Obs: todas as fotos são de Iago Barreto

Faixa em homenagem aos encantados




Pajé Luis Caboclo


Cortejo


Cortejo


Retorno para a escola Maria Venância


Professor Getúlio Santos, liderança indígena de Almofala conduzindo a multidão


Linda indiazinha Tremembé


Miss Tremembé 2014


segunda-feira, 10 de março de 2014

Fortalecimento do "reiso" na aldeia Tremembé de Queimadas

Neste sábado, 08 de março de 2014, tivemos a primeira apresentação do reizado (reiso) em Queimadas, com sapateado, os mascarados e a velha, que são figuras importantes em uma apresentação de reizo.

Um fato muito importante é que a apresentação foi feita pelos idosos da nossa aldeia. Mas em breve teremos uma grande apresentação, mais completa, onde iremos enviar convites para todos os amigos.
A revitalização do reiso faz parte das atividades que integram o projeto "Tradição e Memória dos Índios Tremembé de Queimadas", aprovado no edital de 2013 do Prêmio Culturas Indígenas, e visa fortalecer as tradições culturais dos índios Tremembé, em especial de nossa comunidade.
Além disso, esta ação ocorre num momento em que perdemos nosso antigo mestre do Reizo, Cecídio Ferreira, de modo que além de estarmos incentivando e valorizando nossa cultura, estamos também homenageando este grande personagem de nossa comunidade.
Aguardem a grande apresentação...














domingo, 11 de agosto de 2013

V Assembleia do Povo Tremembé

Torém nas dunas do Mundaú
Foto: Ronaldo Santiago
O Povo Tremembé dos três municípios (Acaraú, Itarema e Itapipoca) esteve reunido para a V Assembleia do Povo Tremembé, espaço máximo de discussão e deliberação das demandas da etnia. O evento ocorreu entre os dias 29 e 31 de julho na aldeia São José, Terra Indígena Barra do Mundaú, em Itapipoca.
Nos três dias do evento, pautas como saúde indígena, educação e situação fundiária dos Tremembé dominaram as discussões nas mesas. As lideranças discutem os temas, apresentando a realidade operacional das políticas indigenistas nas aldeias e a partir das discussões elaboram propostas e encaminhamentos aos órgãos públicos.
Além das três pautas, os Tremembé também debateram sobre os desafios de manter as tradições, rituais e conhecimentos indígenas através das novas gerações, principalmente diante das transformações culturais e tecnológicas que adentram às aldeias. Um fato a se destacar é a presença majoritária de jovens no evento, muitos deles professores das escolas indígenas.
As lideranças Tremembé também discutiram sobre a situação da CTL de Itarema. Diante da precariedade e falta de estrutura para funcionar a contento, foi elaborado um documento a ser enviado para a coordenação regional solicitando recursos e pessoal técnico para que a CTL possa atender efetivamente às comunidades Tremembé dos três municípios.
Entre os participantes externos, o evento contou com representantes da 3ª CREDE (Acaraú), SESAI, Prefeitura de Itapipoca, Missão Tremembé, além de pesquisadores e parceiros dos Tremembé.
Um dos momentos mais marcantes aconteceu na terça-feira, ao cair da tarde, quando os participantes da assembléia, capitaneados pelo cacique e o pajé, subiram as dunas e fizeram um grande torém que contou com a presença de mais de cem pessoas.
Ao final do evento foi elaborado um relatório final discorrendo sobre as pautas discutidas e os encaminhamentos que serão tomados pelas lideranças indígenas. Publicaremos no blog assim que o documento for concluído.
Ficou decidido que a próxima Assembléia Tremembé será realizada no Córrego João Pereira, na aldeia São José.
O evento finalizou com a noite cultural, onde as crianças das comunidades de São José, Buriti, e Córrego João Pereira apresentaram danças e versos de cordel. Além da apresentação juvenil, o torém e a dança do caçador fecharam a programação da noite.

Assembleia realizada no acampamento construído após retomada
Foto: Ronaldo Santiago

Erbene, liderança local, dando boas vindas aos participantes da Assembleia
Foto: Ronaldo Santiago

Foto: Ronaldo Santiago
Foto: Ronaldo Santiago

Torém, 30/07/2013
Foto: Ronaldo Santiago
Torém, 30/07/2013
Foto: Ronaldo Santiago
Torém, 30/07/2013
Foto: Ronaldo Santiago
Zé Canã e Erbene (São José/Itapipoca)
Foto: Ronaldo Santiago
Cacique João Venâncio, Florêncio e Chico Izídio
Foto: Everthon Damasceno

Vice-Prefeito de Itapipoca
Foto: Everthon Damasceno

Lideranças Tremembé, liderança quilombola e vice-prefeito de Itapipoca
Foto: Everthon Damasceno
 
Torém infantil
Foto: Everthon Damasceno

Noite do dia 31, accampamento
Foto: Everthon Damasceno

Dança do Caçador
Foto: Everthon Damasceno

terça-feira, 23 de abril de 2013

Demarcação da TI Tremembé de Queimadas


No último dia 19 de abril, pouco mais de um ano da publicação do relatório de identificação e delimitação no Diário Oficial, o Ministro da Justiça Eduardo Cardozo publicou a Portaria nº 1.702, que declara de posse permanente do grupo Tremembé a Terra Indígena TREMEMBÉ DE QUEIMADAS com superfície aproximada de 767 hectares (DOU, 22/04/2013. Ver imagem abaixo). Depois de mais de duas décadas de conflito com o DNOCS, finalmente a referida comunidade indígena tem seu território declarado, aguardando agora a demarcação física e posterior homologação pela presidenta Dilma.

Diário Oficial da União, 22/04/2013

Elaborei um pequeno texto informativo discorrendo brevemente sobre as origens deste grupo e o processo de reconhecimento étnico em curso.


A SAGA DOS TREMEMBÉ DE QUEIMADAS: DIÁSPORAS E RESISTÊNCIA INDÍGENA


Ronaldo Santiago Lopes (PPGAS/UFRN)

A Terra Indígena Tremembé de Queimadas está localizada há 34 km da sede do município de Acaraú, estando margeada pelo Perímetro Irrigado do Baixo Acaraú. A história dos índios Tremembé de Queimadas se insere no contexto de uma série de dispersões que se iniciam no final do século XIX, forçadas inicialmente por uma das piores secas vividas no Ceará, precisamente em 1888, quando vários grupos de famílias saem de Almofala, no litoral, em direção às matas e beiras de rios em busca de alimento e melhores condições de habitação.[1]
Um desses grupos seguiu pelas matas, ao sul do município, estabelecendo-se num lugar que deram o nome de Lagoa dos Negros. Outro grupo avança alguns quilômetros, desbravando a área onde atualmente é a TI. Córrego João Pereira, no limite entre os municípios de Acaraú e Itarema.
Na Lagoa dos Negros viveram alguns anos até a chegada do fazendeiro Doca Sales. O nome do local faz referência a uma lagoa que teria sido desencantada pelo pajé João Cosmo. O pajé, um dos líderes do grupo, teria “achadouma grande lagoa, cercada por uma densa vegetação. No entanto, a lagoa estava encantada. Foi aí que o pajé se utiliza de suas virtudes mágico-religiosas para desencantar a lagoa, consolidando a ocupação dos Tremembé na região.
Entretanto, como relatam Brissac e Marques (2005), não tardou para que o fazendeiro Doca Sales descobrisse e cobiçasse a terra, expulsando as famílias do local, tendo em vista que pela abundância de água, o local era propício para a criação de gado. Neste momento, ocorre uma segunda dispersão tremembé que, após a expulsão da Lagoa dos Negros se dividem entre Queimadas e várias localidades próximas.[2] Viveram no local por mais de 30 anos, até sua expulsão em 1927.[3]
Com a dispersão, algumas famílias foram se alojando em algumas comunidades próximas até  que decidem se fixar e ocupar o lugar onde viriam a denominar Queimadas. Um grupo de sete famílias se estabelecem num lugar descampado, sem vegetação, decorrente de uma queimada de proporções gigantescas. Deste fenômeno ambiental surgiu a denominação Queimadas. Segundo relatos orais, a ocupação do território teria se iniciado em setembro de 1927 (Brissac e Marques, 2005; Patrício, 2010).
A partir desta data os Tremembé de Queimadas, ao mesmo tempo em que finalmente conseguem se fixar num local, vão sendo lentamente pressionados pela ambição de posseiros que tentam tomar suas terras. Conforme o relatório antropológico da TI. Queimadas,

“Os anos que se seguiram após a chegada em Queimadas foram de muito esforço para todos. Como vimos nos relatos acima. Assim como ocorreu na Lagoa dos Negros, fazendeiros do gado também chegaram a Queimadas. Acima se mencionou que nas vizinhanças, onde futuramente seria a T.I Córrego João Pereira, havia conflitos para a expulsão das famílias Tremembés, em Queimadas não foi diferente, um fazendeiro de nome Major Duca e outro chamado de Chico Rios faziam a grilagem de terras na região com ameaças de expulsão e morte. Somente em 1957, com a fragilidade das famílias que viram aos poucos seus membros mais idosos serem subtraídos e seu território reduzido cada vez mais, é que tomaram providencias” (Patrício, 2010, p. 45).

Três irmãs, duas delas viuvas e a outra solteira, recorrem á justiça na época, na tentativa de registrar e garantir juridicamente a posse da terra ocupada, como relata Antonio Félix, liderança indígena de Queimadas, hoje falecido:

“Quando morreram os véio tudinho os homens, ficou as mulheres. Aí o povo mesmo do Acaraú se compadeceu delas e vamos fazer o documento desta terra antes dos tubarão. Aí fizeram no 57, da légua de terra como era que eles tinham chegado, mas botaram os confinantes logo. Do jeito que diz aqui: Manoel Duca da Silveira no Norte, Zé Emiliano de Freitas no Sul, Antonio Monteiro da Costa no Poente e a carroçal do Acaraú a Fortaleza, diz tudinho nos documentos. Aí as véia morreram e nós fiquemos e aqui tamos quando chega o DNOCS se apresentando”.[4]

O documento citado por Antonio Félix indicava que área do povoado Queimadas teria uma légua em quadro, o equivalente a 3.600 hectares. Ainda segundo Patrício (2010), ao longo das décadas de 60, 70 e 80 do século passado, as famílias vão gradativamente perdendo o controle da terra, com as invasões ou negociações ardilosamente realizadas com fazendeiros que se apossam da terra em troca de produtos alimentícios, tecidos ou por valores módicos, numa prática bastante conhecida e recorrente no Nordeste.
A comunidade vive relativamente tranquila até a chegada do DNOCS que desapropriou uma extensa área de terras para construção do Perímetro Irrigado do Baixo Acaraú. O início do projeto data de 1981, mas os conflitos com os Tremembé de Queimadas se iniciaram no final dos anos 80 quando, não reconhecendo a presença de populações indígenas, o órgão inicia o processo de desapropriações das terras. Os conflitos foram se arrastando por mais de uma décsda, até que se intensificaram em 2005, quando é expedida uma ordem de despejo para as famílias, que deveriam desocupar a área em 72 horas.
Na época, o caso mobilizou Ong’s indigenistas, o MPF, FUNAI e outros segmentos da sociedade civil, além da imprensa, gerando grande alvoroço, sobretudo pela iminência de um conflito entre a polícia e os Tremembé, não só de Queimadas, mas de várias localidades que planejavam se reunir para impedir a entrada dos tratores que iriam demolir as casas. A atuação da Associação Missão Tremembé, da FUNAI e de políticos, além da repercussão do caso nos jornais, obrigou o DNOCS a retroceder. Em seguida a FUNAI conseguiu na justiça a paralisação das obras até que os estudos antropológicos fossem realizados.
Dentre os processos de territorialização dos Tremembé, Queimadas foi a última a iniciar o processo de organização sociopolítica de perfil étnico. Como se poderia esperar, é a partir do conflito com o DNOCS, aliado ás articulações indigenistas, que inicia o processo de emergência étnica dos Tremembé de Queimadas. Além disso, a proximidade espacial e social com os Tremembé do Córrego João Pereira também se constituiu como um fator importante na construção da etnicidade em Queimadas, tendo em vista as íntimas relações entre famílias das duas situações, como também o caráter pedagógico da situação vivida no Córrego João Pereira anos antes, servindo como um modelo de ação política de caráter étnico.
Em março de 2010 foi formado o Grupo de Trabalho – GT da FUNAI que realizou o estudo de identificação e delimitação da Terra Indígena Tremembé de Queimadas. Em dezembro de 2011, foi publicado no Diário Oficial da União o resumo do relatório circunstanciado de identificação e delimitação em que foi definida a área da TI totalizando 767 hectares. A aldeia Queimadas tem uma população de 220 indígenas, agrupadas em 44 famílias[5]

Mapa das TI's Queimadas, Córrego João Pereira e Almofala
Fonte: Relatório de Identificação e Delimitação da TI Queimadas (Cf. Patrício, 2010).
 

Enquanto o processo demarcatório não é concluído, os Tremembé de Queimadas tem se voltado, nos últimos anos, para discutir estratégias de sustentação econômica na própria aldeia, já que muitos indígenas ainda trabalham fora da comunidade, principalmente como diaristas no Perímetro Irrigado do Baixo Acaraú. Essas estratégias perpassam dois aspectos principais: os métodos de produção agrícola e as condições ambientais (Lopes e Bezerra, 2011 e Lopes, 2012).
A demarcação da TI Queimadas ocorre num momento em que algumas ações começam a ser esboçadas no território tradicional, no sentido de mobilizar a comunidade local, instituições parceiras e órgãos do governo federal para a promoção da gestão ambiental e territorial da terra indígena. Dentre estas ações destacam-se o projeto apoiado pela Carteira Indígena/MMA e as ações de acompanhamento e monitoramento realizadas pelo Programa de Gestão Ambiental e Territorial de Terras Indígenas – GATI, coordenado pela FUNAI e Ministério do Meio Ambiente – MMA.

Fotos: Ronaldo Santiago e Tiago Silva


 Bibliografia consultada

BRISSAC, Sérgio Telles. MARQUES, Marcélia. Relatório antropológico sobre os Tremembé de Queimadas. Fortaleza: MPF, 2005.
BRASIL. Portaria nº 1.702 de 19 de abril de 2013. Diário Oficial da União, Brasília, 22 abril, 2013. Seção 1, p. 34.
LOPES, Ronaldo Santiago. Diásporas, identidades plurais e a semântica da etnicidade: territorialidades Tremembé. Projeto de pesquisa – mestrado, PPGAS/UFRN, 2013.
LOPES, Ronaldo Santiago. Manejo agrícola e seus impactos em agroecossistemas indígenas: a situação dos Tremembé de Queimadas.  Tesesina: Encontro de Ciências Sociais do Norte Nordeste - CISO/PRÉ-ALAS, 2012. Anais CISO, p. 1-18.
LOPES, Ronaldo Santiago; BEZERRA, Tiago Silva. Assistência Técnica e Extensão Rural – ATER Indígena: relatos de uma experiência com as comunidades Tremembé de Acaraú. Fortaleza, Cadernos de Agroecologia, vol 6, No. 2, Dez 2011.
PATRÍCIO, Marlinda Melo. Relatório Circunstanciado de Identificação e Delimitação da TI Tremembé de Queimadas, Acaraú/CE. Brasília: Funai, 2010.
SILVA, Cristhian Teófilo da Silva. Relatório circunstaciado de identificação e delimitação da Terra Indígena Córrego João Pereira/CE. Brasília: Funai, 1999.
VALLE, Carlos Guilherme do. Terra, tradição e etnicidade: os Tremembé do Ceará. Rio de Janeiro: Dissertação de Mestrado em Antropologia, PPGAS-MN/UFRJ, 1993.



[1] Sobre as migrações tremembé, Cf. Valle, 1993; Silva, 1999; Brissac e Marques, 2005.
[2] A dispersão dos Tremembé da Lagoa dos Negros não se restringiu apenas a Queimadas. Em toda a região circunvizinha à Lagoa dos Negros existem famílias que atualmente ainda mantém vínculos de parentesco com os Tremembé do Córrego João Pereira e de Queimadas. Entre as localidades identificadas estão Pedrinhas, Córrego do Augustinho, Córrego da Volta, Córrego dos Fernandes, Gameleira e Aroeira, em Acaraú. Mais detalhes, conferir Patrício (2010).
[3] Em 1997, a fazenda Volta/Lagoa dos Negros é desapropriada pelo INCRA, tornando-se um assentamento federal, com área de pouco mais de 3.000 hectares. Segundo dados do MDA, atualmente o assentamento possui 79 famílias.
[4] Op. cit., p. 45.
[5] Cadastro FUNAI, 2010.


quinta-feira, 28 de março de 2013

Tremembé de Queimadas doa mudas ao Córrego João Pereira


Momento de interação entre os indígenas


Dando continuidade às atividades referentes às metas do projeto da Carteira Indígena em Queimadas, foi realizada a oficina de agroecologia e a entrega das mudas para as famílias participantes do projeto. Como desdobramento desta atividade, a comunidade de Queimadas, numa articulação conjunta entre as lideranças Tremembé, os técnicos que acompanham o projeto, o GATI e a CTL de Itarema, um grupo de lideranças da TI. Córrego João Pereira (aldeias São José e Cajazeiras) esteve na TI. Queimadas para um momento de intercâmbio e troca de experiências com as famílias que estão participando do projeto de produção de mudas e construção de sistemas agrícolas de manejo ecológico. 

Durante o encontro, o grupo visitou o quintal do Zé Maria, AISAN da comunidade, que contou sobre o início do projeto com quintais produtivos, no início de 2010, quando as primeiras mudas foram distribuídas para as famílias de Queimadas. Zé Maria mostrou para os visitantes como estavam as mudas plantadas naquela oportunidade.
Em seguida, se dirigiram para o viveiro de mudas e para o sistema agroflorestal mantido por Evaldo Nascimento e seu irmão Luciano. Visitaram o viveiro, foram informados sobre detalhes da produção e o modo de plantio das mudas. Além disso, tiveram uma aula com Evaldo sobre a produção de repelentes naturais e biofertilizantes.

Encontro dos indígenas na escola de Queimadas

Visita ao quintal do Zé Maria
Caminhada ao viveiro de mudas

Grupo recebendo instruções no viveiro de mudas
Tanque de criação de peixe no meio da mandala
Evaldo ensinando como se produz biofertilizantes

Visitaram ainda a horta em sistema mandala, manejada por Mairton, Evaldo, Oliveira e Welto, onde puderam conhecer a experiência de plantio de hortaliças, frutas e leguminosas, além da criação de peixe no tanque situado no núcleo da mandala.

A visita teve como principal objetivo a doação de centenas de mudas produzidas em Queimadas para as duas aldeias do Córrego João Pereira. Portanto, a atividade já foi um desdobramento de uma meta traçada pelo projeto da Carteira Indígena de Queimadas que contemplou as aldeias do Córrego que por sua vez estão implantando outro projeto financiado pelo GATI. Com esta atitude, a aldeia Queimadas se consolida como uma referência na gestão ambiental de terras indígenas e na adoção de sistemas ecológicos de plantio.

O encontro foi mediado pelo técnico Tiago Silva e Antonio Neto, coordenador da CTL-FUNAI de Itarema. No fim da vista, o grupo recebeu as mudas que foram transportadas no carro da FUNAI até o local de destino.


Abastecendo o carro com as mudas doadas
Antonio Neto, da CTL de Itarema, acompanhando o grupo de lideranças do Córrego

Créditos:
Informações: Tiago Silva Bezerra
Fotos: Tiago Silva Bezerra e Caroline Moreira

sábado, 8 de janeiro de 2011

E-mail dos Conselhos Indígenas de Telhas e Queimadas

Apesar das aldeias de Queimadas e Telhas ainda não terem acesso à internet, se faz necessário que os conselhos indígenas tenham um canal de comunicação para a chegada e saída de informações, bem como para a interação com outros povos e instituições. Assim, a partir de agora os dois conselhos já possuem seus respectivos e-mails.
Qualquer contato agora pode ser feito com os representantes da comunidade via mensagem para os seguintes endereços:

Conselho dos Índios Tremembé de Queimadas - CITQ
Contato: Elaine (secretária do CITQ e professora)

Conselho dos Índios Tremembé do Córrego das Telhas - CITCT
Contato: Fernanda (professora)

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Comunidades Tremembé de Acaraú tem dois projetos aprovados pela Carteira Indígena

Hoje é um dia histórico e de muita felicidade para as mulheres Tremembé de Queimadas e Telhas, e para nós que acompanhamos as comunidades. Tivemos os dois projetos aprovados pelo Comitê Gestor da Carteira Indígena. 
Neste momento as duas comunidades já foram comunicadas e já recebo as primeiras mensagens de algumas mulheres Tremembé, expressando a felicidade da conquista.
São dois projetos "pequenos", porém, com um significado tremendo diante do processo de organização sociopolítica, produtiva e cultural das duas aldeias. É mais um passo que elas vão dar para garantir a segurança alimentar e nutricional, mais autonomia e fortalecer o trabalho solidário e cooperativo.  
Os projetos foram aprovados com condicionantes, deverão atender às condições impostas pela Comitê, mas isso não diminui nossa imensa alegria. Iremos corrigir o que for preciso, mas o importante é OS PROJETOS FORAM APROVADOS!!!

Segue o texto do site da Carteira Indígena (mma.gov.br)



PROJETOS APROVADOS NA CHAMADA PÚBLICA DE PROJETOS
JUNTO ÀS MULHERES INDÍGENAS

A coordenação da Carteira Indígena - CI torna público o resultado da 34ª Reunião do Comitê Gestor - CGCI, realizada em Brasília, no período de 29 de novembro a 02 de dezembro, que apreciou os 65 projetos habilitados na Chamada Pública de Projetos junto às Mulheres Indígenas. Deste total, foram aprovados 37 projetos, dos quais 26 serão apoiados, no valor total de R$ 1. 225.440,73, considerando disponibilidade orçamentária maior que a anunciada originalmente na Chamada, (um milhão de reais).
As proponentes dos 26 projetos aprovados serão comunicadas sobre a deliberação do CGCI, brevemente. Os projetos aprovados com condicionantes deverão atendê-las até 10 de janeiro de 2011 (conforme cronograma da Chamada). 

domingo, 17 de outubro de 2010

Indígenas da Aldeia Tremembé de Queimadas participam do curso de Olericultura Orgânica do SENAR/CE


Um grupo de indígenas de Queimadas participou do curso de Olericultura Orgânica promovido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – SENAR, entre os dias 12 e 16 de outubro. A proposta do curso surgiu quando o Supervisor Técnico da Instituição, Sérgio Oliveira esteve supervisionando o curso de Avicultura Básica, realizado em agosto. Na ocasião, ele foi convidado pelo técnico Tiago Silva a conhecer a área de produção de hortaliças de Queimadas, onde surgiu a proposta de realização do curso de Olericultura Orgânica, com o objetivo de aprimorar o conhecimento dos indígenas. A partir da proposta, os técnicos do CRAS e da Secretaria de Agricultura fizeram a solicitação junto ao SENAR.

 O curso veio numa hora estratégica, tendo em vista que os olericultores de Queimadas necessitavam aprender a produzir defensivo natural para combater algumas pragas que estavam agredindo as hortas. Diante da demanda gerada pelo próprio grupo, o técnico Sérgio Henrique, facilitador do curso, foi conduzindo o curso a partir da necessidade apontada pela comunidade.
Momento teórico


Fazendo o "limpo" para a construção dos canteiros

Durante os cinco dias do curso, os participantes se dividiram entre momentos teóricos e práticos, sendo o segundo e maior carga horária. Entre as técnicas ensinadas no curso, foi visto a construção de canteiros, análise e reconhecimento do solo, correção e adubação do solo, produção de defensivos naturais, compostagem.
Levantando os canteiros

Fazendo a adubação
 Ao final do curso, o grupo se reuniu e os participantes puderam avaliar principalmente o rendimento do curso e o conteúdo. Alguns índios puderam expressar a satisfação pela realização do curso, que há algum tempo era esperado. Alguns se sentiram aliviados pela eficácia dos defensivos produzidos que foram aplicados e exterminaram algumas pragas que estavam se aproximando de algumas culturas como o tomate e o coentro.

Montando a irrigação
Preparando defensivos naturais

 Com este o curso, os Tremembé de Queimadas dão mais um passo para a consolidação da produção de hortaliças e frutas, que tem contribuído para uma mudança significativa das condições de vida das famílias, garantindo a segurança e soberania alimentar e a geração de trabalho e renda na comunidade.

Produção de defensivos naturais: tarefa cumprida

Finalizando com a compostagem